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Terra plana. Que história é essa?

A Terra é redonda. É esférica, como uma bola. Não chega a ser uma bola perfeita, mas é quase. Agora, tem gente dizendo por aí que a Terra é plana – como se acreditava láááá no passado! Escuta, ou melhor, leia só!

Ilustração Mario Bag

Antes de começar essa conversa, não custa repetir: a Terra é redonda, tem o formato de uma bola.Se alguém perguntar, pode afirmar, sem qualquer dúvida. O fato de a Terra ser redonda é algo cientificamente comprovado por experimentos. Além disso, existem provas do formato esférico da Terra, como fotos, viagens espaciais e muitos mais.

Recentemente, em todo mundo (até no Brasil!),pessoas estão se reunindo para defender a que a Terra é plana, achatada como uma moeda.Esses defensores foram apelidados de ‘terraplanistas’.

 

Cientistas de um lado e terraplanistas de outro

Qualquer afirmação da ciência precisa ser testada muitas vezes, em situações diferentes, por pesquisadores diferentes e precisa também passar pela avaliação de muitos especialistas, até ser considerada uma verdade.

O formato da Terra, por exemplo, deixou muita gente em dúvida milhares de anos atrás. Afinal de contas, se a gente senta na areia da praia e olha para o horizonte, vê uma linha reta. A partir dessa observação somente, muita gente acreditou que a Terra fosse plana mesmo, que acabasse lá, na linha do horizonte.

Acontece que nem sempre a observação mais simples é a correta. Sentados na areia da mesma praia, podemos observar um navio indo em direção à linha do horizonte até ele desaparecer. Desaparecer? Como assim? Será que o navio caiu no abismo do fim do mundo?

Os cientistas têm certeza que não, mas os terraplanistas acham que sim.

 

De onde vem a certeza de que a Terra é redonda?

Hoje é muito fácil comprovar que a Terra é redonda. Afinal de contas, muitos astronautas já foram ao Espaço, deram a volta em nosso planeta e puderam afirmar que a terra tinha o formato esférico, como o de uma bola. Além da confirmação dos astronautas, temos também fotos, muitas fotos de satélites, que demonstram o formato que a Terra tem.

Há milhares de anos, porém, não havia toda essa tecnologia. Mas já havia o desejo de se descobrir o formato da Terra.

A atenção aos eclipses lunares ajudou bastante os pensadores antigos a chegarem a uma conclusão sobre o formato da Terra. Na Grécia, há cerca de 2.500 anos, já era aceito que a Lua reflete a luz do Sol, ou seja, que ela não tem luz própria.E foi observando que eclipses lunares apresentam sempre o formato de um arco circular causado pela sombra da Terra na Lua, que os gregos tiveram uma indicação muito forte de que a Terra é esférica.

Se é redonda mesmo, quanto mede a sua circunferência?

Pegue uma bola qualquer. Pode ser de futebol, de pingue-pongue… qualquer uma serve. Pegue também uma fita métrica. Se você der a volta com a fita métrica pelo meio exato da sua bola poderá calcular o tamanho da sua circunferência. Mole, não é? Mas como é que faz para calcular a circunferência da Terra? Vamos voltar à Grécia Antiga…

Embora os gregos já estivessem convencidos de que a Terra tinha o formato de uma bola, eles queriam saber a medida da sua circunferência. Mas como fazer isso?

Um pensador grego chamado Eratóstenes, há cerca de 2.300 anos fez um raciocínio geométrico muito esperto. Ele sabia que ao meio-dia, no verão, na cidade de Siena (onde hoje está a cidade de Assuão, no Egito), o Sol estava exatamente no meio do céu, o que chamamos de Sol a pino.

Nessa situação, uma pessoa em pé não projeta sombra. Já, na cidade de Alexandria, distante de Siena, nessa mesma data e horário, o Sol se encontra em outra posição, ou seja, uma estaca presa ao chão projetará uma sombra.

Para calcular a circunferência da Terra, então, Eratóstenes precisava conhecer a distância entre Siena e Alexandria, o que foi feito com a contratação de um itinerante, uma pessoa que media as distâncias por meio de passadas regulares. Eratóstenes sabia quanto maior o raio da Terra, menos curva ela vai ficando. Isso tem como consequência que o tamanho da sombra da estaca depende do raio da Terra. Usando essa relação, Eratóstenes calculou o raio da Terra, obtendo um valor para a circunferência da próximo ao que conhecemos atualmente, que é 40.008 quilômetros.

A origem da ideia de que a Terra é plana

Mesmo com as evidências mais antigas e mais atuais de que a Terra é redonda – esférica como uma bola –, algumas pessoas voltaram a sugerir que a Terra é… plana!

A ideia da Terra plana tem sua origem nos registros do escritor inglês Samuel Rowbotham, que viveu entre 1816 e 1884. Ela se baseia em um experimento conhecido como ‘o experimento do rio Bedford’. O rio Bedford é um canal artificial, longo, com quase 10 quilômetros de extensão.

Se a Terra é, de fato, redonda, raciocinou Rowbotham, então uma estaca distante nesse rio iria sumir, um efeito semelhante ao que acontece com o desaparecimento de um barco no horizonte. As observações de Rowbotham, porém, deram um resultado diferente: ainda era possível ver a estaca. Qual o problema, então?

O fato de a estaca não ter desaparecido pode ser explicado pela refração da luz próxima à superfície do rio. O nome parece complicado, mas é aquele efeito que você observa quando coloca um lápis em um copo com água: ele parece quebrado por que a luz não vem em linha reta, do lápis até o seu olho. Para o rio, o que acontece é que a luz vai acompanhando a Terra,o que cancelou o efeito esperado de desaparecimento do objeto, porque a estaca estava muito perto da superfície da água, e a umidade da água fez com que a luz se curvasse. Usando uma estaca mais comprida, esse efeito não acontece e a estaca some no horizonte.

Uma das maiores falhas que os proponentes de teorias de Terra plana têm é o abandono do método científico – que exige muitas provas – pela troca de um método particular de observação, sem as “provas” que fazem parte do método científico.

Portanto, se alguém afirmar que Terra é plana, saiba que essa pessoa está redondamente enganada!

 

Marco Moriconi
Instituto de Física, Universidade Federal Fluminense.


Uma partida genial!

Imagine se fosse possível formar uma super-equipe de futebol com os melhores jogadores de todos os tempos. Marta, Pelé, Messi… Competir com essa turma de craques não deve ser uma tarefa fácil!

Ilustração Marcello Araújo

Antes de começar a contar sobre o maior jogo de futebol de todos os tempos, temos que mencionar os treinos mais malucos da história. Tudo começou quando, depois de tantas experiências malsucedidas, Galileu decidiu levar um quadro, desses de escola, para o campo:

– Nós não vamos aprender a jogar como esses feras do futebol em tão pouco tempo. Mas também somos craques, só que nas leis da natureza. Vamos usar essa nossa qualidade para driblar as dificuldades, colocando a ciência no jogo!

Os demais cientistas ficaram animados e, rapidamente, começaram a estudar para superar os craques da bola. O pontapé inicial da discussão foi dado por Marie Curie, quando ela percebeu que o elemento mais importante de um jogo de futebol não são os jogadores:

– A bola, gente, temos que usar nossas teorias para fazer a bola entrar no gol! As pessoas podem até ser responsáveis pelos passes, porém é a bola o que altera o placar.

 

Nadando no ar

– O que é, o que é? É invisível e está ao redor da bola e dos jogadores? – provocou Emmy Noether.

Para responder a essa charada, não era necessário ser uma grande cientista. Tudo o que existe na face da Terra está envolto em ar.

– Peraí, nós não íamos focar na bola? Por que estamos falando sobre ar? – reclamou Faraday.

O motivo era simples. É justamente a interação entre a bola e o ar que faz a magia do futebol acontecer. Quem sabia disso muito bem era Maxwell:

– O ar é um gás. Os gases, assim como os líquidos, são formados por moléculas que vivem em constante movimento. Por não pararem de se mexer, essas moléculas se chocam o tempo todo contra as paredes sólidas que as rodeiam. Esse empurra-empurra acaba gerando…

– Uma pressão nas superfícies dos objetos! – gritou Pascal.

– Isso mesmo! Agora, vamos pensar na bola. Ela está cercada pelo ar da atmosfera, mas também é preenchida de ar por dentro. Por conta disso, ela vai sofrer dois tipos de pressão: uma interna e outra externa. Para simplificar, como a bola tem sempre o mesmo tamanho, a única coisa com a qual temos que nos preocupar é a quantidade de moléculas de ar que está batendo contra as suas superfícies. Quanto maior for esse número (e também a velocidade dessas moléculas), maior vai ser a pressão no objeto!

Quanta pressão!

– Se o ar é composto por várias moléculas, onde elas vão parar quando a bola passa? Dois corpos não podem, ao mesmo tempo, ocupar o mesmo lugar no espaço! – questionou Newton.

Para responder a essa pergunta, os cientistas tiveram que pensar. Quando a bola viaja pelo ar, ela vai abrindo caminho, empurrando as moléculas que estão à sua frente. Como consequência, as moléculas de ar ficam coladinhas na frente da bola, mas acabam bem afastadas da parte detrás da bola. Esse desbalanceamento entre a quantidade de moléculas em volta da bola causa… Uma diferença de pressão! É como se as moléculas da frente estivessem empurrando a bola para trás! Surge, assim, uma força de resistência, que desacelera o movimento (um dos motivos pelo qual a bola não continua rolando para sempre depois de um chute).

Satisfeitos, os cientistas estavam quase encerrando a discussão, quando Lise Meitner falou:

– O ar também passa pelas laterais da bola! O que será que acontece com a pressão nessa região?

– Eu tenho um palpite! – disse Bernoulli. – A pressão nas laterais da bola vai depender da velocidade do ar que passa nesta região. Quanto mais rápido for esse fluxo, menor vai ser a pressão.

O gol da ciência

Enfim, chegou o grande jogo. O time dos cientistas corria de um lado para o outro, tentava mostrar o que tinha aprendido. Porém, havia um problema… Era impossível tirar a bola dos craques do futebol! A partida já estava terminando, e o placar era 31415 x 0 para o time de Marta e companhia. Foi então que, nos 45 minutos do segundo tempo, o juiz apitou: falta para os cientistas!

Aquela era a única oportunidade de gol que teriam. Nervoso, Magnus foi bater a cobrança direta. Entre ele o gol havia uma barreira de jogadores do time adversário. De repente, o que Bernoulli havia dito veio à sua mente e… Eureka!

Magnus chutou com precisão no canto inferior direito da bola. Seu objetivo era claro: ele queria fazer a bola girar em torno de si mesma. Assim, o objeto faria dois movimentos distintos: voar em linha reta (para o alto e para a direita) e girar em torno de si mesma (da direita para a esquerda).

Durante o voo, o ar passava pela bola, desacelerando o objeto como de costume. A magia aconteceu por conta do ar que passava pelas laterais da bola. Enquanto, pelo lado direito, o sentido do giro da bola era oposto ao fluxo de ar. Pelo lado esquerdo, ambos os movimentos possuíam o mesmo sentido. Como consequência dessa sincronização, a velocidade do fluxo de ar era maior do lado esquerdo. O que aconteceu? Foi gerada uma região de menor pressão desse lado da bola, empurrando o objeto para a esquerda em uma curva inesperada e… Gooool!!! É dos cientistas!!! Que efeito, Magnus!

Gráficos Nato Gomes

Jogo na cabeça e ciência no pé

Final de jogo, hora de pendurar as chuteiras. Mesmo com tanto estudo, os cientistas não levaram a vitória para casa. Porém, apesar do placar, o vestiário dos cientistas era uma grande festa! Os craques da bola, confusos, foram logo perguntar o porquê da celebração.

A resposta de um dos cientistas é a moral da história:

– Para jogar essa partida, fizemos observações e levantamos hipóteses, buscando os cálculos que descrevem um jogo de futebol. Mas esquecemos de um detalhe: o que nós aprendemos com a cabeça, vocês já sabiam com o corpo todo. Descobrir que não há ciência sem imaginação e nem arte sem técnica é a nossa grande vitória!

Felizes, as duas equipes se juntaram, em uma união tão inseparável quanto futebol e física!

 

Carolina Andries Gigliotti
Programa de Pós-Graduação em Física
Instituto de Física
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Vamos encontrar 5 palavras de destaque no texto?


O aquecimento global, a Amazônia e os… lagartos???

Aquecimento global. Você pode não saber exatamente o que significa, mas já ouviu essa expressão, não é mesmo? Pois então: a temperatura da Terra está aumentando nos últimos anos, especialmente em razão de atividades humanas, que resultam em poluição. Alterações no clima estão sendo observadas em diferentes lugares da Terra, até na Amazônia! Muitos animais sofrem com essas mudanças climáticas, incluindo os lagartos!

Ilustração Walter Vasconcelos

Cada lugar do mundo sofre às mudanças climáticas de uma maneira. Na região tropical do nosso planeta, onde fica o Brasil, os cientistas – depois de muitas pesquisas e cálculos – preveem mudanças na quantidade de chuva e na variação de temperatura para os próximos 50 anos.

E o que será que vai acontecer com a Amazônia? Bem, de acordo com as pesquisas, a região vai ficar mais quente, e vai apresentar cada vez menos chuvas ao longo do ano. Essas mudanças podem afetar todos os seres vivos que vivem na imensidão da floresta amazônica – desde as plantas e fungos até os vertebrados, como os anfíbios, os répteis, as aves, peixes e os mamíferos.

 

Por que a preocupação com os lagartos?

Os lagartos fazem parte do grupo dos répteis, animais que dependem da temperatura do ambiente em que vivem para regular a temperatura do seu próprio corpo. Em outras palavras, esses bichos são muito frágeis ao aumento de temperatura causado pelas mudanças climáticas.

Nas horas mais quentes do dia, os lagartos procuram um abrigo para fugir do calorão. E enquanto se abrigam, eles não podem procurar alimentos nem se reproduzir.

Por outro lado, com os lagartos escondidos, muitos animais que se alimentam deles acabam ficando sem ter o que comer. E quanto mais aumentar a temperatura do lugar que o lagarto vive, mais tempo ele vai ter de ficar escondido no abrigo.

Em resumo: escondido, o lagarto não se alimenta, não deixa filhotes, nem serve de alimento a outras espécies. É um problema grave e… em consequência do aumento da temperatura ambiental!

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Foto D. Gordon E. Robertson/Wikimedia Commons
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Foto Cayambe/Wikimedia Commons
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Foto Bernard Dupont/Wikimedia Commons

Proteção para os répteis

Os cientistas estão tentando entender o que pode acontecer com os lagartos se o aquecimento global continuar. Para os lagartos da Amazônia, por exemplo, o futuro já é bastante preocupante, porque existe pouca informação sobre a maioria das espécies.

Se nada for feito para diminuir esse aquecimento, 35 espécies de lagartos da Amazônia têm grande chance de desaparecer daqui há 50 anos. Muitas delas são encontradas dentro de áreas florestais protegidas, que são chamadas Unidades de Conservação. Esses locais são como um “santuário” para a preservação da natureza. Mas, com o avanço das mudanças climáticas, parte da biodiversidade vai desaparecer até de locais protegidos.

 

Todo mundo em risco

Os seres humanos também fazem parte da natureza e, claro, sofrerão com as mudanças climáticas. O que há de diferente nesse caso é que a espécie humana é a única que pode fazer algo para reduzir os problemas que vêm surgindo com o aumento da temperatura global. A principal medida seria diminuir a produção dos gases que alteram a composição da nossa atmosfera, fazendo a Terra se tornar cada vez mais quente. Como isso é possível? Vejamos…

Usar menos o carro ou moto e andar mais a pé, de bicicleta ou em transporte público (que leva muita gente de uma só vez). Evitar produzir muito lixo, por exemplo, consumindo mais alimentos frescos e menos comida industrializada. Jogar o lixo no lugar certo. Evitar o desperdício de água, apagar as luzes quando não há ninguém no cômodo, além de dar preferência a objetos que são recicláveis.

Agindo dessa maneira, podemos contribuir para reduzir os riscos de desaparecimento não apenas os lagartos, mas de inúmeras espécies de animais e plantas – todas tão importantes  para o equilíbrio do planeta e tão belas e coloridas. A natureza agradece!

Gases desequilibrados

A atmosfera do nosso planeta é formada por um conjunto de gases que funciona como uma estufa, guardando uma parte da radiação solar (a energia que vem do sol) que, ajuda a deixar a Terra quentinha o suficiente para que os seres vivos possam sobreviver.

O problema é que nós, humanos, mexemos no equilíbrio desses gases com muitas de nossas atividades. A fumaça que sai da chaminé das indústrias, do cano de descarga dos automóveis, da queima de florestas, por exemplo, faz aumentar a presença de gases de efeito estufa na atmosfera, tornando a Terra cada vez mais quente. A consequência disso é o aquecimento global, que causa as mudanças climáticas, que, então, prejudicam ambientes e todos os seres vivos.

Luisa Diele-Viegas e Carlos Frederico D. Rocha,
Departamento de Ecologia,
Instituto de Biologia,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro.


Academia de astronomia para cientistas mirins

Você chega na escola em um dia qualquer e…Tcharam!!!O professor ou a professora diz assim: “Hoje vamos receber a visita de astrônomos, construir um pequeno jipe para explorar o solo de Marte e, em seguida, trocar ideias sobre o nosso projeto com a equipe da NASA”. Você se belisca e diz: “Alô, Terra chamando! Isso não pode ser verdade!”. Mas é verdade verdadeira! E o melhor: pode acontecer na sua escola!

Ilustração Cruz

A Ad Astra é o que podemos chamar de academia para despertar o interesse de crianças e jovens pela Astronomia. Ela é formada por uma equipe de astrônomos que visita escolas e proporciona aos estudantes experiências reais no estudo dos astros.Meninas e meninos aprendem fazendo.Aliás, a primeira tarefa é aprender a aprender. Como? Utilizando o método científico, que tem como principais passos: a identificação de um problema, a formulação de uma pergunta, o levantamento de hipóteses e a realização de experimentos para testar as hipóteses.

Um exemplo do que os estudantes aprendem com os astrônomos é como reconhecer sinais de água ou de vida em Marte e como explorar o planeta. Para responder às questões formuladas sobre esse tema, é preciso sair da sala de aula. Em uma viagem de barco à ilha de Jaguanum, na Costa Verde do Rio de Janeiro,vão descobrindo como reconhecer sinais de vida aqui mesmo, na Terra. Pois é de forma muito semelhante que os cientistas exploram os mistérios do solo marciano.

 

De volta à sala de aula…

Quando retornam à escola, os estudantes analisam o que aprenderam e aplicam o mesmo método ao planeta vermelho. É possível simular uma visita utilizando diferentes tecnologias como Google Mars, imagens de altíssima resolução tiradas em órbita pela câmera HiRISE (que consegue mostrar detalhes extraterrestres de menos de um metro na superfície do planeta) e também imagens da superfície marciana obtidas pelos jipes Spirit, Opportunity e Curiosity (que em português significa:Espírito, Oportunidade e Curiosidade). As imagens da superfície são tão nítidas que parecem cartões postais!

 

Brasil e Estados Unidos

Ah, sim! Faltou dizer que a equipe do Ad Astra é formada por cientistas brasileiros e estrangeiros. No ano de 2018, três cientistas americanos se juntaram aos nossos astrônomos para realizar o projeto: Way cool, que, em português, significa algo como “muito legal” ou “excelente”. A equipe foi à Cidade de Deus, bairro da zona Oeste do Rio de Janeiro, compartilhar essa experiência inesquecível com os adolescentes e pré-adolescentes do Instituto Presbiteriano Álvaro Reis.

Engenheiros trabalhando

Usando sucata e material fácil de obter em casa, os estudantes construíram minijipes que funcionam de verdade. No final, depois de todo mundo estar craque em saber a diferença entre uma cratera de impacto e um lago seco, os alunos planejaram uma travessia com o jipe Curiosidade e fizeram uma videoconferência com astrônomos e engenheiros da NASA, nos Estados Unidos. Eles bateram um longo papo com os cientistas americanos e explicaram a eles os planos que tinham para o roteiro de exploração a ser feito pelo jipe.

Para completar, a equipe do Planetário da Gávea – instituição especializada na observação do céu, que fica no Rio de Janeiro –disponibilizou telescópios para os alunos olharem os planetas. O tempo, na ocasião estava excelente (astrônomo tem que esperar o tempo abrir!), e havia cinco planetas visíveis no céu: Vênus, Marte, Júpiter, Saturno e até Mercúrio, que é difícil de ver. Uma noite inesquecível!

E você? Está duvidando que esse projeto seja mesmo excelente? Então acompanhe o depoimento dos alunos que participaram. Quem sabe, você se encanta e leva a proposta para sua escola?

Qual é a diferença?

Um leito de lago seco é um local onde havia um lago no passado, mas a água não está mais lá hoje. Os leitos secos são locais baixos que se enchem com os sedimentos (às vezes com os restos dos seres vivos) que costumavam estar no lago. Uma cratera de impacto é um buraco no solo que se formou quando um asteroide ou cometa atingiu a terra. Elas têm formato de círculos e, às vezes, têm um pico (morro) no meio. Em Marte, algumas crateras de impacto tinham fluxo de água no passado e também eram lagos. Por isso, hoje em dia, existem algumas crateras que também são lagos secos.

Wladimir Lyra
California State University Northridge,

Loloano Silva
Observatório do Valongo,
Universidade Federal do Rio de Janeiro,

Melissa Rice
Western Washington University

Fotos Kyr Lobão/INPAR e Felipe Carelli/Ad Astra

“O projeto Ad Astra foi ótimo. Eu gostei muito das experiências que nós fizemos. Fomos a uma ilha, onde tivemos um dia maravilhoso, vimos um monte de coisas legais, uma tartaruga, conchas,peixes etc. Com os professores americanos,eu aprendi a conversar mais em inglês,eu adorei muito quando eu tive a oportunidade de falar com quem trabalha com astronomia. Eu adorei tudo! Oportunidade maravilhosa que vou levar para vida toda.”
Dielle, 14 anos

 

“Eu gostei muito de ter conhecido o projeto Ad Astra. Tive uma ótima experiência, aprendi muitas coisas sobre o planeta Marte. Nós tentamos descobrir se tinha vida em Marte ou não. Adorei os professores, eles explicaram as aulas muito bem, tive muitas dúvidas e eles tiraram todas elas.Fizemos passeios de campo, fomos ao Museu de Astronomia,ao Planetário da Gávea e falamos com algumas pessoas de lá da NASA. Ad Astra melhor projeto!”
Sara, 11 anos

 

“O projeto Ad Astra foi muito interessante, no qual eu aprendi mais sobre os planetas e as estrelas. O que eu achei mais interessante no projeto foi descobrir mais sobre Marte. Gostei do passeio de campo e também teve o passeio no planetário, o qual eu adorei e achei muito interessante. Com os professores americanos foi muito interessante, mas um pouco complicado porque eles falavam inglês e a gente não. E o último dia dos americanos foi interessante que a gente viu os planetas pelo telescópio e também foi triste porque os americanos tiveram que ir embora. Mas, fora isso, tudo foi incrível e maravilhoso. ”
Marina, 15 anos

 

“Uma das experiências mais marcantes foi ter conhecido mais sobre Marte, pois desconhecemos a respeito de outros planetas e sua importância para a humanidade.A primeira experiência que eu tive foi que eu e outros alunos fomos para o Museu de Astronomia aprendemos um pouco de Marte, Vênus e outros planetas. Aprendemos sobre o que acontece com as estrelas, porque elas não aparecem tanto no céu.Minha segunda experiência começou quando os cientistas da NASA chegaram. O primeiro dia de aula foi muito bom. Aprendemos sobre o que é um ser vivo e um ser não vivo. Na terceira experiência aprendemos sobre as tempestades de areias, sobre os polos de Marte, sobre meteoros que caem no planeta e sobre as crateras que ficam no solo. Na quarta aula, nós aprendemos a fazer carrinhos como se fosse o robô que tem lá. Depois teve corrida de carrinhos e competição para aquele que era o mais rápido e o mais bonito.Por conta das coisas que eu aprendi, eu decidi que vou estudar para ser bióloga marinha. ”
Ana Júlia, 13 anos

 

“No projeto da NASA aprendi que a “Rover” anda poucos metros por ano. No telescópio observei dois planetas: Mercúrio e Saturno. Gostei muito da viagem que nós fizemos de barco, eu particularmente fiquei com muito medo quando o barco balançou, mas, fora isso, eu gostei muito dessa viagem. Os professores Paul, Carolyn e Melissa foram excelentes explicando para nós sobre Marte e os outros planetas, fazendo demonstrações de como era a areia e falando sobre a possível existência de água em Marte.Eles, pelo que me lembro, não falaram sobre a existência de dinossauros, de monumentos e de animais pré-históricos, mas seria interessante aprender sobre os animais dessa época.”
Cauã, 12 anos

 

“Eu e meus colegas do INPAR passamos uma semana com um grupo de cientistas da NASA, fazendo experiências e assistindo palestras. Aprendemos sobre galáxias, as crateras da Lua e sobre Marte. O meu dia predileto foi quando fizemos um passeio de campo para a ilha de Jaguanum, fizemos muitas experiências e nos divertimos muito.”
Miguel, 12 anos

 

“Gostei muito de participar do projeto da NASA. A parte que mais gostei foi o passeio de campo, no qual aprendi muitas coisas boas para poder fazer em toda a minha vida. Aprendi que as evidências de formas de vida no presente e no passado servem para conhecer que há muitas formas de vida, tais como plantas e animais. Que o nosso planeta não é maior que o Sol, mas é maior que a Lua.”
Stephan, 12 anos


Fases da Lua

Se a Lua está sempre inteira no espaço, como é que nem sempre é Lua cheia?

Crescente, nova, cheia, minguante… Você já deve ter ouvido falar das fases da Lua. E certamente já observou que ela, o satélite natural da Terra, nem sempre se apresenta da mesma forma no céu. Se hoje podemos vê-la toda iluminada, dias depois pode parecer que está faltando um pedaço. Curioso é que a Lua está sempre do mesmo jeito, inteirinha lá no Espaço. As fases da Lua são apenas uma característica da posição de quem a observa daqui, da Terra.

O que chamamos “fase” da Lua é simplesmente a parte iluminada da Lua que nós vemos.  Sim, a Lua é iluminada pelo Sol, assim como a Terra. A metade voltada para o Sol fica iluminada, a metade oposta, não. Então, tem noite na Lua também? Sim! Na parte iluminada, é período diurno. Na não iluminada, é noturno. Como a Lua gira ao redor do nosso planeta (dizemos que está em órbita da Terra) e, a Terra, por sua vez, gira ao redor do Sol, na medida em que esses movimentos vão se desenrolando, nós, aqui embaixo, vamos vendo mais ou menos da parte da Lua iluminada pelo Sol.

Se a Lua está passando por uma região do Espaço onde a Terra não recebe a luz do Sol, nós vemos mais da metade da Lua iluminada. Se a lua está girando por uma região do Espaço onde a Terra recebe a luz do Sol, vemos menos da metade da Lua iluminada.

Quando a Lua está exatamente no meio caminho entre o Sol e a Terra, vemos a metade da metade iluminada – são as fases conhecidas como quartos: quarto crescente e quarto minguante. As outras duas fases mais famosas são exatamente quando vemos toda a região iluminada da Lua: a Lua cheia ou quando não vemos nada da parte iluminada: a Lua nova.

Veja o desenho para entender melhor…

Gráfico Nato Gomes

Olhando da Terra, os quartos crescente e minguante são visíveis quando a metade iluminada da Lua está exatamente alinhada com a metade iluminada da Terra. Quando a Lua está na posição que corresponde ao meio-dia verdadeiro, isto é, quando o Sol, visto da Terra, está na sua posição mais elevada, é Lua nova – que é quando nada vemos da metade iluminada da Lua. Já quando a Lua está na posição que corresponde à meia-noite verdadeira (o oposto do meio dia verdadeiro), é Lua cheia!

Vários povos que usam as fases de Lua como forma de contagem do tempo consideram a Lua nova como um zero ou um começo. Em várias cidades do interior corre a lenda de que alguns homens se transformam em lobos (lobisomem) nas noites de Lua cheia.Você quer saber mais curiosidades sobre a Lua? Então, continue acompanhando esta coluna!

 

Jaime Fernando Villas da Rocha,
Departamento de Física,
Instituto de Biociências,
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

 

Vamos encontrar os pares?


O lado oculto da lua

Yutu-2, um jipe mandado para a Lua vai desvendar um pouco mais desse mistério!

Ilustração Mario Bag

Na última coluna, conversamos sobre a Lua. Relembramos que ela gira em torno da Terra, mas que também é iluminada pelo Sol. Vimos ainda que a Lua nem sempre se apresenta para nós, aqui na Terra, completamente iluminada e que, a depender dessa iluminação temos as chamadas “fases da Lua”. Mas o que você talvez não saiba ainda é que há uma parte da Lua que nós nunca vemos,o chamado lado oculto.

A pergunta é: porque esse lado está fora de nossa visão aqui da Terra? É simples: porque o tempo que a Lua leva para rodar em torno de si mesma é igual ao tempo que leva para rodar ao redor da Terra! Assim, ela nos mostra sempre um mesmo lado, iluminado ou não.

Começamos a conhecer o Lado Oculto durante a chamada “corrida espacial”, uma disputa entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética pela exploração espacial.Em 2018, com sua missão Chang’ e-4, os chineses enviaram mais um jipinho para lá: o Yutu-2, o segundo da série (já haviam enviado um jipinho Yutuem 2013, só que para o lado visível mesmo). Além de verificar como é essa parte da Lua que não conseguimos ver aqui da Terra, eles pretendem estudar também o solo e outras características da Lua.

Hoje, os humanos sabem um pouco sobre o lado oculto da Lua porque enviamos sondas, como a Chang’e-4,que mandam imagens para a Terra. O Youtube tem alguns vídeos, como esse (youtube.com), que mostram o pouso do Yutu-2.

Nossa visão da Lua aqui da Terra depende da sua trajetória ao redor do nosso planeta. Por vezes, a Lua está um pouco “por cima” da Terra. Então, podemos ver um pouquinho mais da parte de baixo da Lua.  Por vezes, ela está “por baixo” da Terra, aí podemos ver um pouco de sua parte de cima. Às vezes, ela roda ao redor da Terra um pouco mais rapidamente, outras vezes um pouco mais lentamente. Aí podemos ver um pouco mais da direita ou da esquerda…

Vemos sempre um pouquinho mais da Lua de cima, de baixo, da direita, da esquerda… O lado oculto é menos da metade da Lua e continua nos deixando curiosos: Será que existe água por lá ou não?  Por que, às vezes, a Lua fica vermelha?  Como se formou? Quanto tempo levará para que tenhamos respostas paras essas e outras dúvidas?!

 

Jaime Fernando Villas da Rocha,
Departamento de Física,
Instituto de Biociências,
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro


Dinossauro de Madagascar

Ele foi descoberto na África, mas tinha um avô brasileiro!

Ilustração Rodolfo Nogueira

FICHA TÉCNICA

Nome: Masiakasaurus knopfleri
Origem: Madagascar (África)
Tamanho: cerca de 1,80 metro
Peso: cerca de 39 quilos
Época em que viveu: há 70 milhões de anos (Período Cretáceo)

 

Pensar em dinossauros é uma boa maneira de refletir sobre como a vida em nosso planeta pode ser surpreendente. Seja porque alguns desses répteis tinham o corpo coberto por penas, seja porque algumas espécies conseguiam viver entre a água e a terra firme, ou mesmo pela incrível diversidade de tamanho neste grupo, que incluiu desde animais com poucos centímetros até outros com dezenas de metros de comprimento.

Olhe ao seu redor, caminhe pela praia ou olhe para o céu e você provavelmente não encontrará coisa parecida,exceto as aves, as sobreviventes da linhagem dos dinossauros.

 

Lagarto vicioso

Quer conhecer mais uma espécie curiosa desse grupo de animais? Que tal dar uma olhada no Masiakasaurus knopfleri?Ou, se preferir, ‘lagarto vicioso’! Foi assim que este pequeno dinossauro carnívoro foi batizado, enquanto uma equipe de paleontólogos escavava seu esqueleto em rochas com 70 milhões de anos, onde hoje desponta a grande ilha africana de Madagascar, no oceano Índico.

Ficar agachado sob um sol escaldante procurando fósseis de dinossauros pode não ser lá muito confortável, mas e se houver uma boa música? Bem, aí sim! O nome específico knopfleri foi uma homenagem a um famoso músico de rock, o britânico Mark Knopfler, da banda Dire Straits, cujas músicas a equipe de cientistas ouvia repetidamente no momento da descoberta do fóssil. Vicioso, não?

 

Dente estranho

Quando adulto, o Masiakasaurus podia atingir quase dois metros de comprimento. Tinha garras afiadas nas mãos e nos pés, bem como uma boca com dentes típicos de um dinossauro carnívoro:recurvados e serrilhados,sem deixar dúvidas de que era um pequeno predador. Curiosamente o Masiakasaurus possuía os quatro primeiros dentes inclinados para frente, uma característica jamais encontrada em um terópode (dinossauro bípede carnívoro).

Mas, com dentes tão estranhos, o que esse ‘dino’comia?Alguns mamíferos atuais têm dentes parecidos com o do Masiakasauruse uma dieta insetívora. Embora este dinossauro fosse um réptil, e não um mamífero, pode ser que se alimentasse de insetos também. Embora nossas conclusões sobre a dieta de Masiakasaurus permaneça incerta, sua estranha (e única) dentição entre os dinossauros terópodes seguramente confirma que ele comia algo mais além de carne.

Ilha do Cajual, no Maranhão.
Foto cedida pelo autor

“Avô” brasileiro

Em 2011, dentes idênticos aos de Masiakasaurus foram encontrados na Ilha do Cajual, no Maranhão, nordeste do Brasil, em rochas com idade de 95 milhões de anos. Portanto, rochas 25 milhões de anos mais antigas do que aquelas de Madagascar. Os dentes da Ilha do Cajual são também maiores e mais robustos, revelando que o dinossauro que existiu por aqui era igualmente grande!

Curioso mesmo é imaginar como o “avô” do Masiakasaurus deu origem a descendentes africanos. Bem, aí é hora de lembrarmos que os continentes naquela época estavam unidos, formando um único bloco de terra. Também devemos levar em conta que 25 milhões de anos é muito tempo para evoluir. Assim, estudos sugerem que os primeiros Masiakasaurus surgiram no continente europeu, e então iniciaram migrações pelo norte da África, América do Sul e Antártida, até chegarem em Madagascar, na África. Dinossauros são mesmo surpreendentes, você não acha?!

 

Rafael Lindoso,
Instituto Federal do Maranhão.


Especial

Ciências

Volume 3

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