TEXTO

A
A
A

Histórias de uma coisa que todo mundo faz

Você pode estar em casa, na maior tranquilidade, quando bate a vontade. Pode também estar na escola e ficar meio com vergonha de saberem que foi você quem fez. Pode ainda estar na rua e ter de correr para achar um lugar onde possa fazer. Sim, estamos falando de cocô (ou fezes, para soar mais delicado), coisa que todo mundo faz, seja humano ou outro animal. À primeira vista, o assunto pode parecer um tanto nojento. Mas, pode apostar, que é muito, muito interessante!

Vamos começar pelo significado da palavra ‘fezes’, que tem origem do latim faex e se referia à ‘borra do vinho que se depositava nos recipientes após a fermentação’. Dessa origem surpreendente, ‘fezes’ passou a significar tudo aquilo que é jogado fora, excretado e, portanto, desprezível e impuro. Mas o simples e popular cocô possui outros significados: biológico, médico, histórico, econômico… Então, deixe de lado o preconceito, e vamos conferir algumas curiosidades sobre o cocô.

Ilustração Walter Vasconcelos

As fezes estão longe de ser somente os restos de uma refeição, uma simples eliminação daquilo que os animais consumiram, mas não aproveitaram. Elas são uma parte importante da história natural dos seres vivos e têm servido como fonte alternativa de energia e até de inspiração artística. Acredite! Através das fezes podemos identificar o hábito alimentar dos animais, contar inúmeras histórias e entender a natureza.

A ciência que estuda as fezes é a coprologia. Quem faz medicina, biologia e paleontologia também pode estudar as fezes. Na medicina, por exemplo, as fezes podem confirmar ou prever certas doenças, especialmente aquelas decorrentes das parasitas (os vermes!) – por isso existe o exame de fezes.

Incríveis coprólitos

Coprólitos são as fezes fossilizadas dos animais, inclusive humanos, pré-históricos. Analisando esse “cocô fóssil”, é possível desvendar, por exemplo, a relação entre plantas e animais que se alimentam delas (os herbívoros), os hábitos alimentares de animais pré-históricos e as migrações de grupos humanos da antiguidade.

Os cropólitos também são importantes para desvendar parte da história dos humanos nas Américas. Sabe-se, a partir do estudo de amostras de fezes fósseis, que os humanos já dominavam o continente americano há cerca de 14.400 anos.

Em 1842, foi descoberta na Inglaterra uma grande reserva de coprólitos ricos em fosfato, substância química usada na produção de fertilizantes agrícolas. Essa reserva voltou a ser explorada comercialmente durante a Primeira Guerra Mundial para produzir munição, que foi utilizada em armas pelos britânicos. A maior parte da transformação de coprólito para fosfato ocorreu na cidade de Ipswich, e a rua na qual ocorria o refino do fósforo recebeu o nome de Coprolite Street, ou seja, Rua do Coprólito.

Coprólito de preguiça-gigante, com mais de 10 mil anos de idade, exposto no museu argentino de La Plata.
Foto André Ganzarolli Martins/Wikimedia Commons

Energia limpa

Ônibus ingleses são movidos por gases produzidos a partir de fezes humanas – o biogás ou biometano. Verdade! A Northumbrian Water é uma companhia inglesa conhecida por aproveitar a “energia das fezes”, isto é, fazer uso de cocô de gente para produzir gás e eletricidade, o que se consegue com o gás que as fezes liberam, chamado biogás. Esse aproveitamento gera uma economia de cerca de 15 milhões de libras por ano (algo em torno de 70 milhões de reais), reduzindo a geração de aproximadamente 135 a 180 litros de esgoto por dia por pessoa.

A produção de biogás a partir da decomposição de cocô de boi, vaca, aves e porco, além de outras matérias orgânicas derivadas de restos de produtos agrícolas, tem sido usada em várias partes do mundo. Em 2017, essa atividade chegou a dar emprego a mais de 300 mil pessoas.

O melhor café

Sementes de café, comidas por alguns animais, sofrem modificações químicas durante a digestão e, quando eliminadas pelas fezes e tratadas (claro!), essas sementes ou grãos ganham um aroma especial, alta qualidade e passam a custar bem caro – um quilo pode ser vendido por até três mil dólares!

O café produzido no estado do Espírito Santo, por exemplo, é conhecido no mundo como Jacu Bird Coffee (ou ‘café da ave jacu’). O conhecimento científico tornou uma situação em que os produtores de café consideravam ter prejuízo em uma “mina de ouro”. Isso porque a ave chamada jacu costumava atacar os cafezais para comer as sementes de café, desesperando os agricultores. Mas descobriu-se que os grãos que saíam nas fezes do jacu, transformados quimicamente pela digestão, eram desses que passavam a valer muito mais!

No Vietnã, os grãos do café que custam caro são os que saem nas fezes das doninhas. Na Tailândia, é o grão de café defecado pelo elefante. Mas há uma situação em que o animal é explorado para comer grãos de café para serem melhorados depois de defecados: é o caso da civeta. Os agricultores das ilhas de Sumatra, Java e Balie Sulawesi, na região da Indonésia, dão café para a civeta comer, embora o café não faça parte da alimentação natural desse animal. Por isso, a produção do chamado café civeta (o mais caro do mundo!) é denunciada pelos defensores dos direitos dos animais, devido às condições de cativeiro em que as civetas vivem.

As sementes de café comidas pelo jacu ganham um aroma muito apreciado pelos especialistas.
Foto Wikipédia
O café que sai no cocô do civeta é o mais caro do mundo!
Foto Jordy Meow/Wikimedia Commons

Óleo de argan

No Marrocos, observa-se outra situação que envolve fezes de animais e dinheiro. Nesse país, as cabras sobem em árvores para comer frutos de uma planta chamada Argania spinosa, popularmente chamada argan. A polpa é um excelente alimento para as cabras, porém as sementes não são digeridas e saem inteiras nas fezes. Os pastores marroquinos aproveitam esse hábito das cabras para obter as sementes de argan livres das polpas e ainda inteirinhas. Como? Eles recolhem as fezes das cabras e retiram as sementes. Desse modo, eles obtêm milhares de sementes, que são lavadas, secas ao sol, abertas e prensadas para obtenção de óleo de argan, muito utilizado para produção de xampus e cremes para pele e cabelo.

As cabras do Marrocos sobrem em árvores para comer frutos. Da digestão delas, resulta o famoso óleo de argan.
Foto Elgaard/Wikimedia Commons

Arte em fezes

E as fezes do panda gigante que produzem peças artísticas? É sério? O cocô dos pandas é esterilizado para garantir a eliminação de microrganismos e serve de matéria-prima para a produção de esculturas e papéis, por exemplo. A ideia de aproveitar o material veio da Reserva Chengdu, onde vivem aproximadamente 2.500 pandas gigantes, que produzem cerca de 200 toneladas por ano de cocô. Era um grande transtorno para limpar o lugar. Mas, com o aproveitamento das fezes, tudo ficou mais fácil.

As fezes de panda gigante também são utilizadas para fertilizar o solo, porque é rica em vitaminas e minerais. Uma erva plantada na terra fertilizada pelo cocô desse animal é a base do chá mais caro do mundo.

E você achando que esse assunto era porcaria, hein?!

Neuza Rejane Wille Lima
Suzete Araujo de Oliveira Gomes
Luiz Mors Cabral
Luiz Antônio Botelho Andrade
Helena Rodrigues Lopes e
Otílio Machado Pereira Bastos
Instituto de Biologia e Instituto Biomédico, Universidade Federal Fluminense.


O som da natureza

Concentre-se para responder: você ouve o barulho das águas de córregos e cachoeiras, das folhas das árvores quando o vento bate, das aves cantando e de outros animais que se escondem na vegetação – onde estamos? Na floresta, claro! Agora você ouve barulhos de sirenes, buzinas, máquinas furando o chão, vozes de muita gente ao mesmo tempo – Onde estamos? Na cidade? Acertou! A noção de saber onde estamos somente por meio dos sons é criada por um dos nossos sentidos: a audição. O som tem importantes funções não apenas para nós, humanos, mas também para os outros animais, que se comunicam por meio dos sons que emitem. Portanto, ouvir é importante para bicho e para gente!

Ilustração Jaca

Nós, humanos, criamos sons para nos comunicar: pronunciamos palavras, frases, conversamos, cantamos, e fazemos isso em um ou mais idiomas até! Para alguns pesquisadores, essa linguagem tão elaborada, isto é, essa capacidade tão especial de falar (emitir som), ouvir e responder foi o que fez a nossa sociedade evoluir tanto.

Mas, e quando falamos de outros animais – como pássaros, macacos, baleias, sapos, abelhas… –, o que eles querem dizer com os sons que emitem? Essa é exatamente a pergunta que os biólogos que trabalham na área de bioacústica tentam responder. Nem sempre é uma tarefa fácil!

 

O que é bioacústica?

A bioacústica estuda os sons emitidos pelos animais para se comunicar. Esses sons podem ser muito variados e com as mais diversas funções, dependendo do animal. Aves, anfíbios e insetos, por exemplo, emitem sons para encontrar seus parceiros e defender seus territórios. Macacos podem gritar para se comunicar dentro do grupo, informar onde podem encontrar água ou comida. Cada espécie tem a capacidade de ouvir melhor o que os membros de sua própria espécie estão dizendo, como se estivem sintonizados.

Mas sabia que os sons emitidos por determinados animais nem sempre são percebidos pela audição humana? Morcegos e golfinhos, por exemplo, se comunicam de uma forma que permite um localizar o outro – é o que chamamos ecolocalização.

A ecolocalização não é percebida por nós, seres humanos, porque esses ultrassons são mais agudos do que o som mais agudo que conseguimos escutar. Por outro lado, os elefantes emitem um outro tipo de som, o infrassom, que é muito grave mesmo, mais grave do que o mais greve dos sons que podemos ouvir e, por isso, não conseguimos escutar também.

Paisagens que falam

Além de utilizar o som para estudar a comunicação entre os animais, recentemente surgiu uma área de estudo chamada ecologia de paisagens acústicas. Opa, paisagem? Como assim? Vamos relembrar o começo desse texto: a gente consegue reconhecer uma área apenas ouvindo os sons ao redor, não consegue? Pois é, quando estudam paisagens acústicas, os pesquisadores não analisam cada som dos animais separadamente, eles estão mais interessados em entender como os sons de diferentes origens se combinam para formar a identidade acústica de uma área.

Complicado? Que nada! Presta atenção: a identidade acústica de um lugar é como a impressão digital de uma pessoa. Assim como cada pessoa tem uma impressão digital que não é igual a de ninguém, cada local tem sua identidade acústica própria! Na identidade acústica, além dos sons dos animais, são incluídos também outros barulhos da natureza, como os de trovões, ventos, chuvas…

Como os sons da natureza variam de acordo com a época do ano, um mesmo ambiente pode ter sons diferentes ao longo do ano, certo? Assim, os cientistas se perguntam: que animais fazem mais barulho na primavera? E nas outras estações? Essas são perguntas que a ecologia de paisagens acústicas tenta responder.

1, 2, 3, gravando!

Agora, como é que os cientistas tentam encontrar respostas? Se você pensou que eles gravam sons de diferentes locais em diferentes períodos, acertou! Mas ninguém precisa ficar segurando um gravador no meio de uma floresta, por exemplo, por meses ou até anos. Já existem gravadores automáticos, que podem ser deixados no local que se deseja estudar por longos períodos de tempo.

Com essas gravações, é possível verificar como os sons se modificam ao longo do tempo, comparar sons de diferentes áreas, e até mesmo ter uma rápida ideia de que área possui mais espécies de animais.

 

Som que vira imagem

Mas quem é que ouve todas essas gravações? Bem, por mais que seja interessante ouvir os sons da natureza para estudá-los, os cientistas precisam de formas mais rápidas para entender o que está acontecendo nas gravações. É por isso que costumam usar programas de computador que transformam o som em imagem!

Hora de gritar “UAU!” e perguntar: por que transformar sons em imagens? Ora, porque é muito mais rápido olhar para as gravações, do que escutá-las. Nos links a seguir temos dois exemplos: no primeiro, ouvimos um minuto de gravação com muitas aves cantando. No segundo, muitas espécies de insetos estão fazendo barulho. Você consegue adivinhar qual delas foi feita durante o dia e qual foi gravada à noite?

 


Se esses áudios estivessem transformados em imagem, seria mais fácil, não é mesmo?

 

Eliziane Garcia de Oliveira,

Programa de Ecologia,
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


Organização para ninguém botar defeito!

Tem gente que adora organizar as coisas. Você é dessas pessoas? Consegue, por exemplo, fazer listas daquilo que gosta? Suas brincadeiras favoritas? Músicas? Tipos de comida? Tente fazer uma lista e organizar, por assunto, as suas preferências. Escreva as brincadeiras uma debaixo da outra, as músicas também, as comidas idem… Logo, logo você não terá uma lista, mas uma tabela de tudo o que gosta! Pois, uma tabela muito famosa foi criada de maneira parecida há 150 anos. Nela, o cientista russo Dmitri Mendeleev organizou todos os elementos químicos conhecidos até aquela época de acordo com suas características. Ele ainda deixou espaços para elementos que seriam descobertos. Como é que pode?

Ilustração Walter Vasconcelos

Os elementos químicos reunidos por Mendeleev fazem parte da nossa vida. Na verdade, tudo à sua volta tem elementos químicos. Inclusive o papel em que você está escrevendo sua lista, assim como a tinta da caneta, e até sua mão, o resto do seu corpo, a água, o planeta inteiro – ufa! Tudo que existe está composto por elementos químicos. E tudo é formado por partículas muito, muito pequenas chamadas átomos.

Cada elemento químico é um tipo diferente de átomo. Hoje conhecemos 118 elementos químicos. E eles estão todos na tabela que Mendeleev criou. Já percebeu que essa lista ocupou muito espaço na vida do cientista, não é? E deve ter dado um trabalhão escrever os nomes dos elementos… Então, a solução foi abreviar, usando um símbolo para cada item. Quer um exemplo? Se você adora comida mineira e resolve fazer uma lista de comidas da região, ela poderia ficar assim:

 

Pão de queijo – P

Frango com quiabo – Fr

Feijão tropeiro – Fe

Canjiquinha – Ca

 

Quebra-palavras

Abreviar é algo bem comum na Química. Os químicos usam uma ou duas letras para representar os elementos. A primeira letra é sempre maiúscula. Às vezes, aparece um símbolo que não parece combinar muito com o seu nome em português. Não tem mistério, não. É que, nesses casos, o nome usado para criar o símbolo vem de outra língua, uma língua bem antiga, o latim. Veja o caso do elemento “Fósforo”, na Tabela Periódica, ele é representado pela letra “P”. Por quê? Porque a palavra tem origem no latim Phosporus.

Para caber tudo, além de abreviar os nomes, Mendeleev e sua equipe organizaram os elementos químicos que deveriam ficar mais próximos na lista e arrumaram um belo quebra-cabeça!

O desafio de Dmitri

As primeiras tentativas para organizar a Tabela Periódica aconteceram há mais de 150 anos. Vários cientistas fizeram propostas sobre como arrumar os elementos conhecidos. Na época, eram apenas 63, mas, mesmo assim, não era uma tarefa fácil…

Foi em 1869 que Mendeleev conseguiu a arrumação que conhecemos da Tabela Periódica. Ele estudou bastante não só os nomes, mas também as características deles. E esse conhecimento foi muito importante para organizar os elementos.

Mendeleev ficou tão interessado na tarefa que chegou a escrever os nomes dos elementos e suas propriedades em cartões pequenos. Ele arrumava tudo na mesa, como se fossem cartas de um jogo de baralho, tentava montar um verdadeiro quebra-cabeças.

Mas como saber qual elemento deveria ficar do lado de outro? Mendeleev decidiu tentar colocar os parecidos uns embaixo dos outros. Por exemplo, o lítio (Li) e o sódio (Na) são dois metais com características muito parecidas. Os dois são moles (podemos cortá-los com uma faca!), reagem com a água do mesmo modo e formam sais quando se juntam com o cloro – como o cloreto de lítio e o cloreto de sódio. As mesmas coincidências vão acontecendo em cada uma das colunas verticais da tabela.

Manuscrito da Tabela Periódica de Mendeleev, de 1869.
Wikipédia

Buracos na tabela

Por mais que Mendeleev arrumasse as cartas, não havia jeito de os elementos parecidos ficarem uns em cima dos outros. A não ser que ele deixasse alguns buracos vazios na tabela. E foi isso que ele fez! Os buracos vazios ficaram reservados para elementos que ainda não eram conhecidos naquela época.

E, para mostrar que sua tabela realmente funcionava, Dmitri conseguiu antecipar várias características de elementos que faltavam (que ainda nem haviam sido descobertos!). Ele chamou o elemento abaixo do alumínio (Al), por exemplo, de “eka-alumínio”. O eka-alumínio só foi descoberto em 1875 por um químico francês, Paul Emile Lecoq de Boisbaudran, que o chamou de gálio (Ga).

Mas não vá pensando que Mendeleev chegou às suas previsões por acaso. Elas resultaram de muito estudo dos elementos e seus compostos. Depois que os elementos que faltavam foram descobertos, Mendeleev e sua tabela ficaram famosos.

Tabela real

Desde que foi proposta, a tabela periódica não parou de crescer. Mais e mais elementos foram descobertos, até todos os possíveis elementos presentes na natureza terem seu cantinho nela. Depois, os cientistas começaram a criar novos elementos, artificiais, cada vez mais pesados. Hoje sabemos muito mais sobre como a tabela funciona e o que faz os elementos serem parecidos ou diferentes entre si. Mas o trabalho de Mendeleev, lá atrás, foi muito importante para colocar a ciência no caminho certo.

Agora só falta você terminar a sua tabela, feita a partir da sua lista de coisas. Ela vai se juntar às dezenas de tabelas divertidas que você pode encontrar por aí. Aliás, 2019 foi declarado o Ano Internacional da Tabela Periódica. É uma lembrança de que, há 150 anos, Dmitri Mendeleev criou toda essa organização dos elementos químicos. É uma boa maneira de comemorar, não é mesmo?

Dmitri Mendeleev.
Foto Wikipédia

Alfredo Luis Mateus,
Colégio Técnico (COLTEC),
Universidade Federal de Minas Gerais.


E-lixo. O que é isso?

Já percebeu que alguns equipamentos eletrônicos, depois de um tempo de uso – ploft! – não funcionam mais? O que você e sua família fazem com computadores, celulares, tablets, micro-ondas, televisão e outros aparelhos que enguiçam? Jogam no lixo? Hummm… Será essa a melhor opção? Com certeza, não. Descartando de maneira incorreta o ‘e-lixo’, como ficou conhecido o lixo eletrônico, contribuímos com a poluição do planeta. Mas a verdade é que alguns desses equipamentos já saem das lojas com um tempo de vida determinado. Assim, o consumidor logo compra outro mais moderno, e não sabe mesmo o que fazer com o anterior. Mas será que as coisas precisam ser assim?

Ilustração Walter Vasconcelos

Um dos grandes desafios atuais é o destino do lixo eletrônico. Nas últimas décadas, sua produção aumentou. Mas por quê? Por um lado, pela evolução tecnológica, em que tudo fica ultrapassado num piscar de olhos; por outro, pela grande vontade que algumas pessoas têm de comprar e comprar e comprar…

Em média, cada brasileiro produz cerca de oito quilos de lixo eletrônico por ano. Isso faz com que o nosso país seja o sétimo maior produtor de e-lixo do mundo. Nos Estados Unidos e no Canadá, cada pessoa produz cerca de 20 quilos de lixo eletrônico por ano. Na Europa, são quase 17 quilos anuais por habitante. Considerando todo o continente africano (mais de um bilhão de pessoas) são gerados, em média, quase dois quilos de lixo eletrônico por habitante anualmente.

No mundo todo, estima-se que são produzidas 50 milhões de toneladas de e-lixo por ano. Os pesquisadores já apontam que, até o ano de 2050, o nível de produção desse tipo de resíduo alcançará 120 milhões de toneladas por ano. É muito e-lixo, gente!

 

Quebrou joga fora?

Não, não! Jogar os aparelhos eletrônicos no lixo não é uma boa opção. Mas, como as tecnologias são superadas muito rapidamente por outras mais modernas, temos um grave problema para resolvermos: para onde vai todo esse e-lixo?

Menos da quinta parte de todo o lixo eletrônico produzido no mundo é reciclado, as quatro partes restantes vão para aterros sanitários. Acontece que o e-lixo têm diversos tipos de componentes metálicos, entre eles, o ouro, a prata e a platina. Esses metais são chamados preciosos, porque são raros na natureza e não se deterioram com o passar do tempo.

Mas nem tudo é tão precioso e simples assim. O lixo eletrônico pode conter mais de 60 componentes altamente tóxicos e agressivos ao meio ambiente, como o chumbo, o mercúrio e o berílio. Quando descartados de forma inadequada, esses metais são absorvidos pelo solo e podem chegar aos lençóis freáticos (as camadas de água sob o solo), gerando uma extensa área de contaminação.  Entendeu por que jogar o e-lixo no lixo convencional não é a melhor opção?

O lixo eletrônico contém componentes prejudiciais à nossa saúde e ao meio ambiente.
Fotos Wikipédia

Nem tudo é lixo

Uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU) indica que o lixo eletrônico pode gerar bilhões de dólares em materiais reaproveitáveis. Até já existem empresas especializadas em recolher o e-lixo e separar o que pode ser reaproveitado. Elas fazem o papel inverso do processo de produção, ou seja, desmontam os eletroeletrônicos em componentes menores para que estes sejam vendidos para outras empresas.

Infelizmente, esse tipo de atividade não é muito comum no Brasil. Apesar de sermos o maior país em produção de lixo eletroeletrônico da América Latina, apenas uma pequena parte desse lixo é coletado de maneira correta. Mas, atenção: isso não pode ser desculpa para descartarmos nosso e-lixo de qualquer maneira e sem nenhum tipo de cuidado!

e-lixão

Já ouviu falar em Guiyu? É uma cidade chinesa, de cerca de 150 mil habitantes, que recebe grande parte do lixo eletrônico produzido no mundo inteiro. Considerado o maior depósito de e-lixo do planeta, Guiyu tem cerca de 100 mil pessoas, entre as quais muitas crianças, trabalhando na desmontagem e retirada de componentes de produtos eletroeletrônicos. Essas pessoas estão expostas a uma série de substâncias nocivas que colocam suas vidas em risco e, também, contaminam o ar, o solo e a água.

Lixeira eletrônica     

Ainda não existem no Brasil muitos pontos de coleta de lixo eletrônico. A melhor saída para essa situação, apesar de não ser muito simples, é buscar cooperativas e lojas que aceitem esse material para que ele possa ser reciclado e reutilizado. Encontrar esses lugares às vezes dá trabalho, mas vale a pena!

Outra ação a considerar é o consumo consciente, ou seja, comprar e trocar nossos eletroeletrônicos somente quando for realmente necessário. Desta maneira, ajudamos na redução da produção do e-lixo e, como consequência, evitamos a contaminação de novas áreas do meio ambiente.

Para fechar essa conversa, que tal investigarmos os pontos de coletas de lixo eletrônico na nossa cidade? Quem sabe tem um pertinho da sua casa ou escola. E vale a pena lembrar: NUNCA tente desmontar um eletroeletrônico. Você pode se machucar, se contaminar com materiais tóxicos ou até causar uma explosão.

Jean Carlos Miranda
Departamento de Ciências Exatas, Biológicas e da Terra
Universidade Federal Fluminense

Marcela Eringe Mafort
Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais

Maíra Moraes
Ciências Biológicas
Universidade Veiga de Almeida


Animais também aprendem observando

Os animais não agem apenas por instinto, seus comportamentos podem ser bem engenhosos e até mesmo aprendidos.

Os animais exibem diferentes tipos de comportamentos. Alguns deles, chamados comportamentos inatos, não precisam ser aprendidos – são aqueles que os animais já nascem “programados” para executá-los. Por exemplo:os filhotes de mamíferos (incluindo os bebês humanos) já nascem sabendo como sugar o leite de suas mães. Porém, há comportamentos que precisam ser aprendidos através da experiência de vida. É o caso, por exemplo, dos filhotes de leões que, embora nasçam com certo instinto de caça,só aprendem a caçar de fato observando os adultos em ação e praticando.

Alguns desses comportamentos aprendidos, quando são típicos de um determinado grupo de indivíduos da mesma espécie, podem ser considerados culturais. Assim, não podemos chamar de cultural o aprendizado de caça dos leões, já que isso é comum a todos os bandos dessa espécie. Mas… E se descobríssemos que um determinado bando “inventou”uma estratégia de caça muito particular e que esse comportamento está sendo aprendido ao longo das gerações? Isso sim seria considerado transmissão cultural. Um bom exemplo são as orcas:diferentes populações têm estratégias próprias de caça que são ensinadas ao longo das gerações.

Entre os animais brasileiros, os macacos-pregos (Sapajus spp) são conhecidos por improvisar diversas ferramentas. Esse comportamento não é herdado geneticamente, mas aprendido uns com os outros por observação e prática.
Foto Tiago Falótico

Comportamentos culturais também já foram observados em aves e até mesmo em peixes. Mas os campeões nesse quesito são mesmo os primatas. Populações de diversas espécies de macacos apresentam comportamentos culturais relacionados à comunicação, defesa e obtenção de alimento. Somente entre os chimpanzés são conhecidos mais de 30 comportamentos como esses, que incluem o uso de ferramentas rudimentares (quando usam pedras e galhos, por exemplo) e diferentes técnicas de construir abrigos e ninhos.

Não é por acaso que esses comportamentos são mais comuns em primatas,já que evolutivamente eles são nossos “primos”. Estudar esses comportamentos e como se originam é importante não apenas para conhecer melhor esses animais, mas também para tentar entender a origem de nossos próprios comportamentos e cultura.

Em 2011, pesquisadores observaram pela primeira vez na natureza um chimpanzé (Pan troglodytes) utilizando um punhado de musgos para absorver água de uma poça, como se fosse uma esponja, e em seguida leva-la até a boca. Nos anos seguintes esse comportamento foi sendo copiado por outros indivíduos, surgindo a partir daí uma nova tradição cultural naquele bando.
Foto: Derek Keats; WikimediaCommons

Vinícius São Pedro,
Centro de Ciências da Natureza,
Universidade Federal de São Carlos


Bicho ou planta?!?

Elas vivem paradas, mas dão cor ao fundo do mar, rios e lagos há milhões de anos.

Uma das coisas que mais me fascina no reino animal é a quantidade de formas que evoluíram ao longo de muitos milhões de anos. Peixes, répteis, insetos, caramujos, vermes, estrelas-do-mar… que diversidade! Um dos grupos mais curiosos de animais talvez sejam as esponjas. À primeira vista, essas criaturas aquáticas não se parecem em nada com um bicho. Afinal, vivem fixas sobre alguma superfície, como rochas e corais, e têm formas que mais lembram vasos, vulcões ou musgo. Não é à toa que por muito tempo elas foram consideradas plantas!

Graças ao estudo cuidadoso de suas células e as substâncias que as compõem, e também à análise do seu DNA, hoje não temos dúvidas de que as esponjas são animais, e um dos grupos mais antigos a evoluir. Cientistas encontraram fósseis de esponjas com aproximadamente 600 milhões de anos! Só para você ter uma ideia, os primeiros artrópodes (grupo que inclui, por exemplo, os crustáceos e insetos) surgiram há 540 milhões de anos, e os mamíferos a 225 milhões de anos atrás.

As esponjas formam um grupo de animais chamado Porífera. Seu corpo tem muitos buraquinhos (poros), por onde a água entra, passa por canais e depois sai por um ou mais poros maiores. Durante esse processo, a água é filtrada pela esponja, que captura minúsculos seres que lhe servem de alimento, como bactérias, algas, protozoários, e até pequenos crustáceos. Algumas esponjas podem filtrar mais de mil litros de água por dia!
Foto: Eduardo Hadju (Departamento de Invertebrados, Museu Nacional).
As esponjas podem apresentar cores diferentes de acordo com a espécie. Variadas também são as substâncias que os cientistas já encontraram no corpo delas, que lhes deixam tóxicas ou desagradáveis para quem tente devorá-las.Algumas dessas substâncias estão sendo testadas para a produção de medicamentos que, no futuro, poderão salvar vidas humanas.
Foto: Eduardo Hadju (Departamento de Invertebrados, Museu Nacional).
As esponjas, acredite, têm “esqueleto”. Muito diferente do nosso, é verdade, mas que sustenta o corpo delas. A maioria tem um esqueleto formado por fibras de uma substância macia, chamada espongina (A). O esqueleto de outras é feito de calcário (B), mesmo material das conchas de caracóis. Mas algumas das mais belas são as esponjas-de-vidro(C), assim chamadas por causa do seu esqueleto de sílica, o mesmo componente do qual o vidro é feito.
Fotos: Wikimedia Commons.

Os cientistas já catalogaram mais de nove mil espécies de esponjas no mundo, a grande maioria vivendo no mar, e algumas em água doce. No Brasil, já foram encontradas quase 500 espécies, e novas espécies continuam sendo descobertas. Os especialistas acreditam que a diversidade de esponjas brasileiras pode passar de 700 espécies, ou seja, há muitos tipos ainda desconhecidos por nós!

Se as esponjas não se movem, como se reproduzem? Bem, elas fazem isso de dois jeitos. No primeiro, um brotinho cresce e se desprende da esponja-mãe, dando origem a uma nova esponja (em algumas espécies, o broto fica “dormente” no interior da esponja-mãe e só se desenvolve depois que ela morre).

O outro jeito de reprodução acontece quando as esponjas liberam células reprodutivas (gametas) na água. Os dois tipos de gametas (espermatozoides e oócitos) podem se encontrar, formando um embrião que,ao se fixar em alguma superfície como uma rocha, se desenvolverá em uma nova esponja. Mas, em algumas espécies, os espermatozoides de uma esponja são filtrados por outra, e encontram os oócitos dentro dela.Lá, eles se juntam e formam um embrião, que depois é liberado na água para crescer e virar uma nova esponja.

Dia e noite filtrando água, as esponjas, literalmente, levam uma vida parada. Mas, elas deixam os nossos mares, lagos e riachos muito mais ricos e coloridos, faz tempo. Que continuem assim, por milhões de anos mais!

 

Henrique Caldeira Costa,
Departamento de Biologia Animal
Universidade Federal de Viçosa


Especialista em Bioacústica!

Existem pesquisadores que se dedicam a gravar e estudar os sons dessa “orquestra” da natureza: eles são os especialistas em bioacústica!

Os animais se comunicam o tempo todo entre eles, para atividades como reprodução e defesa. Existem pesquisadores que se dedicam a gravar e estudar os sons dessa “orquestra” da natureza: eles são os especialistas em bioacústica!

Encontrar e gravar esses sons é uma experiência única. Quem conta é o biólogo Felipe Silva de Andrade, mestre e doutorando em Biologia Animal na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele estuda os sons de anfíbios brasileiros, como sapos, rãs e pererecas. A bioacústica já o ajudou a descrever seis espécies novas de anfíbios! Mas se engana quem pensa que é só ir até um lugar da natureza e começar a gravar. Às vezes, os pesquisadores viajam quilômetros e… o bicho não está no brejo. Ou não está cantando. Mas, em dias de sorte, diz Felipe, tem céu estrelado e uma espécie nova de anfíbio no alto da serra. Escute, ou melhor, leia esta conversa! 

Ilustração Cruz

Ciência Hoje das Crianças: O que é bioacústica? Com o que ela trabalha?    

Felipe Silva de Andrade: Bioacústica é um ramo da ciência que estuda os sons da natureza. Ela tenta entender as características das ondas sonoras produzidas pelos seres vivos, como a duração dos cantos. A bioacústica também busca entender os processos biológicos envolvidos na produção e na captação desses sons pelos seres.

 

CHC: O que isso ajuda a desvendar na Ciência? Por que a bioacústica é importante?

Felipe: A bioacústica é importante porque ajuda a melhorar a nossa compreensão da comunicação entre os animais, e até mesmo entre as plantas. As plantas podem responder a ondas sonoras ou vibrações em seu ambiente. Por exemplo, cerca de 20.000 espécies usam a polinização por vibrações. Isso quer dizer que o pólen dessas espécies só é liberado das flores quando elas “percebem” a frequência correta do som, um feito alcançado por abelhas que evoluíram para vibrar seus músculos de voo de forma apropriada. Os sons produzidos pelos seres vivos estão associados a diferentes atividades como reprodução, defesa, predação… Estamos aos poucos desvendando os mistérios das cantorias que se ouvem por aí. As aves e anfíbios brasileiros são os grupos mais estudados, desde os Pampas até a Amazônia. Entretanto, há estudos com outros grupos, entre eles mamíferos – por exemplo: morcegos e cetáceos, como os golfinhos – e insetos, como grilos e cigarras.

 

CHC: Quer dizer que existe uma “orquestra” da natureza?  

Felipe: Sim! E há orquestras diurnas e noturnas. Basta ir para uma mata preservada no começo da manhã ou para a beira de uma lagoa à noite. Na mata, você ouvirá uma bela “orquestra” de aves, com diversos tipos de sons de dezenas de espécies. Na lagoa, também ouvirá uma enorme diversidade de espécies de sapos, pererecas e rãs vocalizando. Você pode passar horas ouvindo essas orquestras naturais.

 

CHC: E como um especialista em bioacústica entende o que os animais estão “querendo dizer”?

Felipe: Tudo depende do grupo de animais. Por exemplo, anfíbios, aves e alguns grupos de mamíferos utilizam muito a comunicação sonora. Emitem sons para se reproduzirem, defender, disputar territórios, identificar seus familiares etc. Outros grupos “preferem” a comunicação visual, a feromônica e outras mais. Os feromônios são substâncias químicas produzidas pelos animais com o objetivo de promover a aproximação de indivíduos de uma mesma espécie. Esta atração é importante para possibilitar a reprodução e a perpetuação da espécie.

 

CHC: Como se gravam os sons? Só com gravadores ou câmeras também? 

Felipe: O recomendável para pesquisas cientificas é se utilizar gravadores, microfones e câmeras profissionais. Tudo depende do objetivo. A bioacústica é uma ciência muito recente quando comparada a outras áreas já bem estabelecidas. Ela está fortemente relacionada ao desenvolvimento de novas tecnologias de captação, reprodução e análise dos sons. Os avanços são incríveis. A duração das gravações varia de acordo com o animal. Uma única vocalização pode durar milésimos de segundos ou até dezenas de minutos.

 

CHC: Qual foi sua experiência mais legal em gravar os sons da natureza brasileira?

Felipe: Cada trabalho de campo é uma experiência única. Gravar uma espécie nova de anfíbio no alto de uma serra com um céu estrelado é algo indescritível! E também ouvir e gravar uma espécie que há muito tempo não se encontrava em determinada localidade. Há muita beleza, emoção e aventura em ir para o mato à noite para se gravar sapos, rãs e pererecas, que é o grupo de animais com que trabalho. Todo trabalho na natureza tem seus riscos, já até bem conhecidos por todo biólogo de campo. Há o claro risco de trabalhar à noite na floresta, como animais peçonhentos ou até mesmo o “bicho homem”. Há também o risco mais temido: viajar muitos quilômetros e não encontrar e ouvir a espécie que está procurando. Isso é até comum, infelizmente. No nosso caso, por conta das gravações sonoras, há ainda o risco dos equipamentos. Nós vamos para o campo com gravadores e microfones profissionais importados que custam milhares de dólares. Tudo isso traz uma tensão maior por conta da segurança e umidade. Esses equipamentos não foram desenvolvidos para se gravar sapos, rãs e pererecas (risos). Portanto, temos que ter muito cuidado com esses equipamentos. Mas o mais importante é o bicho estar cantando no brejo!

 

CHC: Como se forma um especialista em bioacústica?   

Felipe: Não existe nenhum programa de pós-graduação em bioacústica, pelo menos não no Brasil. O que existe são biólogos, zoólogos ou ecólogos (mestres e doutores) que trabalham com bioacústica. A formação de um especialista nessa área costuma estar associada a laboratórios especializados. A pessoa começa um estágio para entender como se capta os sons em campo, para depois aprender sobre os programas e métodos de análise desses dados captados.

 

CHC: Onde os sons da natureza são mais ricos?

Felipe: As áreas mais preservadas da natureza possuem uma maior diversidade de sons, ou seja, de espécies. É simples notar isso. Tente ouvir e identificar os sons de animais no ambiente urbano da sua cidade. Depois peça para seus pais levarem você a algum parque ou área com mais natureza preservada. Aposto que conseguirá ouvir uma diversidade maior de sons nesse segundo momento.

 

CHC: E como os animais interagem com os sons humanos? Como os nossos sons afetam os sons animais? 

Felipe: Os sons humanos afetam diretamente as cantorias dos animais. Há estudos que apontam, por exemplo, que o barulho das rodovias faz com que os anfíbios mudem suas características sonoras. Um sapo macho pode alterar levemente a frequência por influência de ruídos do trafego de automóveis, por exemplo. Esses estudos ainda estão no começo. Temos muito a descobrir sobre essas interferências sonoras.

 

Elisa Martins,
Jornalista, especial para a CHC.


Especial

Ciências

Volume 4

Especial

Ciências

Volume 4