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O uirapuru

Ilustração Cris Eich

Os indígenas da Amazônia contam que um jovem e valente guerreiro chamado Quaraçá se apaixonou por uma bela moça de sua aldeia. Anahí era o nome da moça, que, para tristeza de Quaraçá, estava prometida para se casar com o cacique.

De coração partido pelo amor que nunca poderia declarar, Quaraçá pediu a Tupã – aquele que, para os indígenas, é o deus maior – que o transformasse em um pássaro. Tupã atendeu, e fez do rapaz um lindo passarinho com penas avermelhadas. Quaraçá passou a ser um uirapuru, que cantava lindamente.

Na forma de passarinho, o rapaz se sentia seguro para se aproximar de sua amada. E assim fazia todas as noites. Cantava para Anahí bem perto da oca onde ela dormia. Acontece que o cacique achou estranho o fato de a ave cantar apenas para sua futura mulher e começou perseguir o uirapuru.

Assustado, Quaraçá, ou melhor, o uirapuru, voou para longe, para os confins da floresta. O cacique, muito bravo e enciumado, foi atrás para caçá-lo. Foi entrando na mata, foi entrando, foi entrando… até que se perdeu e nunca mais voltou.

Quem voltou foi o uirapuru, que continuou a cantar para Anahí na esperança de ela descobrir que, por trás daquele insistente canto, havia uma declaração de amor verdadeiro.

 

A lenda do uirapuru é contada pelos indígenas que vivem na região amazônica. Esta é uma versão livremente adaptada pela CHC.

 Originalmente publicada em CHC 298

Quer ouvir o canto do uirapuru? Clique aqui!


A primeira mandioca

Ilustração Mariana Massarani

Era uma vez, uma índia chamada Atiolô. Quando o chão começou a ficar coberto de frutinhas de murici, ela se casou com Zatiamarê. As frutinhas desapareceram, as águas do rio subiram, e as frutas apodreceram no chão. Depois, o sol queimou a terra e um ventinho molhado começou a chegar do alto da serra.

Quando os muricis começaram outra vez a cobrir o chão, Atiolô começou a rir sozinha, estava grávida. Zatiamarê, seu marido, vivia dizendo:

– Quero um menino para crescer feito o pai. Flechar capivara feito no pai. Pintar o rosto de urucum feito o pai.

Mas nasceu Mani, uma menina muito linda. Zatiamar ficou aborrecido. O único presente que deu à filha foi um teiú, um lagarto de rabo amarelo. Não conversava com Mani por nada.

Passado um tempo, Atiolô ficou grávida de novo. Dessa vez foi um menino, Tarumã. Com ele, o pai conversava, carregava nas costas para atravessar o rio e empoleirava no joelho para contar histórias.

Mani, cheia de tristeza, correu para o alto do morro e lá ficou. A mãe procurou pela filha por toda a parte. O pai, arrependido, também. Mas ninguém nunca a encontrou.

No alto do morro, onde a menina chorou todas as suas lágrimas, brotou uma plantinha rasteira, mas com uma raiz muito profunda. Toda a aldeia se alimentava dela. Era Mani que havia se transformado em mandioca.

 

Esta é uma lenda de origem indígena citada no livro Contos populares do Brasil (Cadernos do Mundo Inteiro, de Silvio Romero) e livremente adaptada pela CHC.

 

Vamos encontrar os nomes dos 4 índios dessa história?


Lágrimas de diamante

Ilustração Walter Vasconcelos

Potira era uma índia com a formosura das flores. Diziam que sua beleza era uma benção de Tupã, o deus maior dos indígenas. Quando Potira chegou na idade de se casar, uniu-se a Itagibá, um jovem guerreiro. Houve uma grande festa.

O apaixonado casal viva tranquilamente. Até que, um dia, Itagibá teve que partir com os demais homens de sua aldeia para uma guerra.

Potira ficou olhando as canoas que desciam rio abaixo, levando a sua gente e o seu amado. Estava triste, mas, ao contrário das outras índias, não chorou. Acreditava que seu amor iria voltar. Todas as tardes sentava-se à beira do rio e esperava por ele, paciente e calma.

Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando. Até que o canto da araponga, um pássaro que anunciava quando alguém partia, ecoou na floresta. E pela primeira vez Potira chorou. Aquele era o sinal de que nunca mais veria o seu amado.

Dizem que Tupã transformou as lágrimas que desciam pelo rosto de Potira em pedrinhas sólidas e brilhantes, que foram se acomodar no cascalho do fundo do rio. Eram diamantes, pedras preciosas para que todos se lembrassem do grande e precioso amor de Potira e Itagibá.

 

Esta é uma lenda de origem indígena citada no livro Contos populares do Brasil (Cadernos do Mundo Inteiro, de Silvio Romero) e livremente adaptada pela CHC.


O caipora

Ilustração Marcelo Pacheco

Caipora, em Tupi, quer dizer ‘habitante do mato’. Reza a lenda que essa criatura protege as plantas, os animais, os rios e as cachoeiras, aparecendo sempre muito depressa para assustar qualquer estranho. Dizem que o caipora é pequeno, cabeludo, tem a pele vermelha e um olho só. Não parece alguém que a gente tenha muita vontade de encontrar. Mas Cauê encontrou.

Cauê era um jovem indígena, um tanto rebelde, que resolveu fugir de sua aldeia para se isolar no mato. Passou a viver distante dos outros índios, longe do aprendizado de sua tribo e começou a fazer coisas erradas. Arrancava folhas, desperdiçava comida, arremessava pedras e mais pedras no rio…

Não demorou para que o caipora farejasse aquela desordem na mata. Montado em seu porco selvagem, saiu para ver o que estava acontecendo. Galopou em alta velocidade, abrindo espaço entre veados, coelhos, capivaras e outros bichos. Sentindo a presença de Cauê, os cabelos do caipora se balançaram. O índio ficou apavorado com o vento, pressentindo a proximidade do protetor da mata. Assustado, voltou correndo para a aldeia e prometeu nunca mais se afastar da sua gente.

 

Esta é uma lenda de origem indígena, inspirada em http://prodoc.museudoindio.gov.br/noticias/retorno-de-midia/68-mitos-e-lendas-da-cultura-indigena e livremente adaptada pela CHC.

 

Que tal colorir o caipora?


Uma casa para compartilhar

Ilustração Marcelo Badari

Um veado que andava pela campina muito cansado resolveu procurar um lugar para fazer uma casa: – Faz tempo que procuro um lugar para morar. Há de ser aqui!.

A onça também andava pela campina e pensou:

– Estou cansada de tanto caminhar. Preciso fazer a minha casa. E vai ser aqui mesmo.

Era o mesmo lugar que o veado já tinha escolhido.

No dia seguinte, o veado voltou, capinou e roçou o lugar. Deixou o terreno bem limpinho.

No mesmo dia, mais tarde, veio a onça e se espantou:

– Nossa! Tupã está me ajudando! O terreno já está limpinho.

E enterrou, no chão, madeiras para armar a casa.

No outro dia, veio o veado e disse:

– Nossa! Tupã está me ajudando!

E cobriu a casa, e fez dois quartos: um para ele e outro para Tupã.

No mesmo dia, mais tarde, veio a onça, que, achando a casa pronta, resolveu se mudar logo. Ocupou um dos quartos e foi dormir. Ainda no mesmo dia, voltou o veado. Ocupou o outro quarto e foi dormir

Na manhã seguinte, os dois acordaram e levaram um baita susto.

– Então, era você que estava me ajudando? – perguntou a onça.

– Ou era você que estava me ajudando? – devolveu o veado.

Achando graça da situação, a onça e o veado decidiram morar juntos.

 

Esta é uma lenda de origem indígena citada no livro Contos populares do Brasil (Cadernos do Mundo Inteiro, de Silvio Romero) e livremente adaptada pela CHC


Como a noite apareceu

Ilustração Walter Vasconcelos

Diz a lenda que, muito antes de tudo aquilo que conhecemos aparecer, não havia noite. Nem os animais existiam. Mas a filha do Cobra Grande, o grande pajé, sabia onde a noite estava guardada: em um caroço de tucumã, na sua oca.

Acontece que a filha do pajé se casou com um jovem guerreiro de uma aldeia vizinha, e para lá se mudou. Certo dia, a moça cismou que queria ver a noite e pediu ao seu marido para buscar o caroço de tucumã na casa do pajé. Ela queria liberar a escuridão para ver as estrelas.

O jovem índio chamou seus três melhores amigos e disse:

– Vão à casa do Cobra Grande e tragam o caroço de tucumã.

Os rapazes foram. Explicaram a situação ao pajé, que lhes entregou o caroço muito bem fechado e recomendou:

– Podem levar, mas não abram o caroço por nada, senão todas as coisas se perderão.

Os rapazes iniciaram a viagem de volta, mas ficaram intrigados com o barulho que vinha de dentro do caroço. Parecia o barulho dos grilos e dos sapinhos que cantam à noite. Quando já estavam longe da casa do pajé, um dos rapazes disse aos companheiros:

– Vamos ver que barulho é esse.

E o mais velho disse:

– Não ouviu o Cobra Grande? Vamos perder tudo o que existe!

Os três seguiram caminhando até chegar ao riacho que separava as duas aldeias. Entraram na canoa e iniciaram a travessia. Mas estavam muito curiosos e resolveram que iriam abrir e fechar o caroço bem rapidinho. Mas quando abriram, tudo escureceu! Todas as coisas que estavam espalhadas pelo bosque se transformaram em animais da terra e do ar. As coisas que estavam espalhadas pelo rio, se transformaram em peixes. De longe, a filha do Cobra Grande avistou a estrela d’alva e disse a seu marido:

– Libertaram a noite!

Quando os três amigos voltaram como o caroço aberto, o índio, muito bravo, transformou os rapazes em macacos. E parece que foi assim que a noite apareceu…

 

Esta é uma lenda de origem indígena citada no livro Contos populares do Brasil (Cadernos do Mundo Inteiro, de Silvio Romero) e livremente adaptada pela CHC.


O mito de Iemanjá

Ilustração Cris Eich

Iemanjá, também conhecida como Janaína ou Inaê, é filha de Olokun, deusa dos mares. Mãe cuidadosa, Olokun deu a Iemanjá um pote com uma poção para ser usada em caso de grande perigo. Diante de uma situação assim, Iemanjá deveria quebrar o pote, e uma solução para o problema surgiria num passe de mágica.

O tempo passou, Iemanjá cresceu e se casou com Oduduá, considerado criador do universo. Juntos, tiveram dez filhos. Cada um se tornou um orixá, representando um elemento ou fenômeno da natureza: o fogo, a mata, as tempestades… Mas Iemanjá e Oduduá não viveram felizes para sempre. Cansada do casamento, Iemanjá deixou a cidade de Ifé, no sudoeste da Nigéria, e foi sem rumo para o oeste.

Chegando à cidade de Abeokutá, Iemanjá conheceu Okerê, que se apaixonou por ela e lhe propôs casamento. Iemanjá aceitou, mas impôs uma condição: Okerê jamais poderia fazer comentários sobre seus seios, que ficaram muito grandes após amamentar seus dez filhos. Okerê aceitou a condição, mas, certo dia, bebeu vinho demais e fez piada com os grandes seios de sua mulher. Iemanjá, ofendida e muito triste, decidiu ir embora.

Okerê foi atrás de Iemanjá, que correu o mais que pôde para não ser alcançada por ele. Na fuga, porém, Iemanjá tropeçou e o pote, com a poção protetora que recebera de sua mãe, se quebrou. Num passe de mágica, nasceu um rio, que foi levando Iemanjá em direção ao oceano. Querendo impedir o caminho de sua mulher, Okerê se transformou em uma montanha. Iemanjá, sem poder seguir em frente, chamou por seu filho Xangô, que lançou um raio, partindo a montanha ao meio. Iemanjá chegou ao mar, onde permanece como rainha.

 

A cultura africana tem algumas narrativas diferentes para a origem do mito de Iemanjá. A que contamos aqui tem origem entre os iorubá. É uma livre adaptação da CHC inspirada nas pesquisas do fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger, que nasceu em Paris (França), em 1902, e morreu na Bahia (Brasil), em 1996.

Originalmente publicada em CHC 298


Como nasceram todas as histórias

No início da criação do mundo, as histórias ficavam todas em um baú, aos cuidados de Nyame, o deus do céu. Sem histórias, a vida na terra era bem triste. Então Ananse, uma criatura metade homem e metade aranha, resolveu ir ao céu buscar histórias para contar.

Alcançar o céu parecia impossível, mas Ananse teceu uma grande teia de prata que ia do chão até o alto. Chegando ao céu, Ananse pediu a Nyame que lhe desse algumas histórias para contar ao povo de sua aldeia. Nyame disse que daria, mas, antes, Ananse precisaria trazer um leopardo de dentes terríveis, um maribondo de picada de fogo e uma fada que nunca ninguém viu. O deus do céu pensava que, com isso, faria aquele ser terrestre desistir da ideia, mas Ananse apenas respondeu:

– Pagarei seu preço com prazer!

Ananse desceu por sua teia de prata e foi logo procurar um leopardo de dentes terríveis. Não demorou a encontrar. Vendo Ananse se aproximar, o leopardo falou:

– Você chegou na hora certa para ser o meu almoço.

Mas Ananse propôs um jogo ao felino, que logo se interessou:

– O que vamos jogar?

E Ananse respondeu:

– Um jogo com cipós. Eu amarro você pelos pés, depois desamarro. Aí, é a sua vez de me amarrar. Ganha quem amarrar e desamarrar mais depressa.

O leopardo gostou da proposta. Ananse, então, amarrou o bicho pelo pé e, quando ele estava bem preso, amarrou-o a uma árvore dizendo:

– Agora, você está pronto para encontrar Nyame!

Depois, Ananse cortou uma folha de bananeira, encheu-a com água e atravessou o mato alto até a casa dos marimbondos. Lá chegando, colocou a folha sobre sua cabeça, derramou um pouco de água sobre si e o restante sobre a casa dos marimbondos e gritou:

– Está chovendo! Vocês não gostariam de entrar na minha cabaça para que a chuva não estrague suas asas?

E assim, juntou marimbondos para Nyame.

Para conseguir cumprir o terceiro pedido, Ananse esculpiu uma boneca de madeira e a cobriu de resina da cabeça aos pés. Pendurou o brinquedo em uma árvore florida, onde as fadas costumam dançar. À frente da boneca, colocou uma tigela de inhame assado e amarrou a ponta de um cipó em sua cabeça. Segurando a outra ponta do cipó, Ananse foi se esconder atrás de um arbusto. Em poucos minutos chegou a fada que ninguém nunca viu. Ela veio dançando, como só as fadas africanas sabem dançar, até os pés da árvore. Lá, avistou a boneca e a tigela de inhame. Olhou para a boneca e disse:

– Estou com tanta fome, poderia dar-me um pouco de seu inhame?

Ananse puxou a sua ponta do cipó para que parecer que a boneca dizia sim com a cabeça. A fada, então, comeu tudo, depois agradeceu. Mas a boneca nada disse. Então, a fada resolveu arrancar a boneca da árvore e ficou com as mãos coladas. Ananse saiu de trás do arbusto e carregou a fada para encontrar Nyame.

Depois de tecer outra imensa teia de prata, Ananse chegou ao céu carregando os três pedidos de Nyame. Chegando lá, disse:

– Eis aqui o preço que você pede por suas histórias.

Nyame ficou maravilhado e chamou todos de sua corte para ouvir seu pronunciamento:

– De hoje em diante e para sempre, as histórias pertencem à terra.

Ananse desceu por sua teia de prata levando consigo o baú de histórias até o povo de sua aldeia. Quando abriu o baú, as histórias se espalharam pelos quatro cantos do mundo, vindo chegar até aqui.

 

Esta é uma lenda da mitologia africana, inspirada em https://pt.wikipedia.org/wiki/Ananse e livremente adaptada pela CHC.

 

Atrás da nuvem está Nyame. Se você se lembra dos três pedidos que ele fez a Ananse, leve-os até a nuvem!


A Menina que não falava

Ilustração Mariana Massarani

Certo dia, um rapaz viu uma moça muito bonita e, imediatamente, apaixonou-se por ela. Como sentia o coração a ponto de explodir, foi conversar com os pais da moça para propor casamento.

– Essa nossa filha não fala. Mas, caso consiga fazê-la falar, poderá se casar com ela – responderam os pais da moça.

O rapaz aproximou-se da bela menina e começou a fazer-lhe várias perguntas, a contar histórias engraçadas, mas a menina não chegou a rir e não pronunciou uma só palavra. O rapaz desistiu e foi embora.

Depois desse rapaz, seguiram-se outros pretendentes, alguns até muito ricos, mas ninguém conseguiu fazer a moça falar.

O último pretendente era um rapaz pobre e sujo. Chegou dizendo aos pais da moça que estava apaixonado e que queria se casar com ela. E os pais responderam:

– Pessoas muito mais apresentáveis do que você e com muito dinheiro não conseguiram fazê-la falar. Não será você que vai conseguir! Nem pense nisso!

Mas o rapaz insistiu e pediu que o deixassem tentar a sorte. Para que o jovem deixassem de incomodar, os pais concordaram.

O rapaz pediu à moça que o acompanhasse até a sua roça para ajudar na colheita de milho e amendoim. O rapaz começou a colher, enquanto a moça apenas olhava.

Depois de muito trabalho, a menina, ao ver que o rapaz já tinha colhido quase tudo, a menina soltou uma pergunta:

– Como você consegue trabalhar tanto?

O rapaz começou a rir e pediu à moça que o acompanhasse de volta à casa dos pais dela. Chegando lá, o rapaz contou o que se tinha passado na roça. A questão foi discutida pelos anciãos da aldeia da moça e organizou-se um grande casamento.

 

Este é um conto de origem africana, inspirado em https://curadoriacolunastortas.wordpress.com/ e livremente adaptada pela CHC.


A origem do tambor

Ilustração Marcelo Badari

Dizem, na Guiné, que a primeira viagem à Lua foi feita pelo macaquinho de nariz branco. Parece que, certo dia, os macaquinhos de nariz branco resolveram fazer uma viagem à Lua a fim de trazê-la para a Terra.

Depois de tantas tentativas de pular mais alto para alcançar a Lua, um deles teve a ideia de subirem uns por cima dos outros, até que algum conseguisse chegar à Lua.

Logo que o menor macaquinho de nariz branco pôs os pés na Lua, a pilha de macacos desmoronou e todos caíram. A Lua gostou tanto daquele macaquinho que lhe ofereceu um tambor de presente.

O macaquinho não sabia para que servia o tambor, e a Lua lhe mostrou como tocar. E o macaquinho foi ficando por lá, até que começou a sentir saudades de casa e resolveu pedir à Lua que o deixasse voltar.

A Lua providenciou uma corda enorme e disse ao macaquinho que descesse com cuidado, levando o tambor. Sua única recomendação foi para que ele só tocasse o tambor ao chegar à Terra. Aí então ela cortaria a corda.

O macaquinho foi descendo feliz da vida, mas, na metade do caminho, não resistiu e tocou o tambor. Ao ouvir o som, a Lua pensou que o macaquinho já estivesse na Terra e cortou a corda.

O macaquinho de nariz branco caiu e, antes de morrer, disse a uma moça que o encontrou que aquilo que ele tinha era um tambor e deveria ser entregue aos homens do seu país.

A moça correu para contar a todos o ocorrido. Vieram pessoas de todo o país e, naquela terra africana, ouviam-se os primeiros sons de tambor.

 

Este é um conto popular de Guiné-Bissau, na África, inspirado em https://curadoriacolunastortas.wordpress.com/ e livremente adaptada pela CHC.


Oxóssi, o caçador

Ilustração Mariana Massarani

Olofin era um rei africano da terra de Ifé. Todos os anos, ao final da colheita, Olofin promovia em seu reino a ‘Festa dos inhames’. As pessoas reunidas comiam inhame amassado, bebiam vinho de palma, dançavam e brincavam. Mas, naquele ano, um enorme pássaro sobrevoou o reino de Olofin, interrompendo a festa. Depois de voar para lá e para cá, pousou no teto do palácio. Era tão grande que o rei pensou ser uma nuvem. Sua asa direita cobria o lado esquerdo do palácio, sua asa esquerda cobria o lado direito do palácio, as penas do seu rabo varriam o quintal e sua cabeça cobria o portal de entrada.

Vieram guerreiros de vilarejos próximos para tentar deter a ave. De Idô, veio Oxotogun, o ‘caçador das vinte flechas’. Ele lançou suas vinte flechas, mas nenhuma atingiu o enorme pássaro. De More, chegou Oxotogi, o ‘caçador das quarenta flechas’. Ele lançou suas quarenta flechas, mas nenhuma atingiu o pássaro. De llarê, veio Oxotadotá, o ‘caçador das cinquenta flechas’. Ele lançou todas elas e nenhuma atingiu o pássaro.

Finalmente, de Iremã, chegou Oxóssi, o ‘caçador de uma só flecha’. O rei já estava sem esperança e duvidou do guerreiro que faria somente uma tentativa. Mas Oxóssi mirou e acertou em cheio o peito do pássaro com sua única flecha.

A notícia se espalhou:

— Foi Oxóssi, o ‘caçador de uma só flecha’, quem nos livrou do terrível pássaro! Oxóssi é caçador!

 

Esta é uma lenda da mitologia africana, inspirada em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me001614.pdf e livremente adaptada pela CHC.


Especial

Língua Portuguesa

Volume 4

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