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Por que algumas vacinas são gotinhas e outras, injeção?

As vacinas em gotas, que tomamos na boca, são para evitar doenças que contraímos também pela via oral – por meio de alimentos ou água contaminada –, como é o caso dos rotavírus e do vírus da poliomielite (causador da paralisia infantil). Esse tipo de vacina é absorvido no trato gastrintestinal – que inclui boca, faringe, estômago e intestino – e age estimulando o nosso sistema imunológico a combater os microrganismos que se instalam nessa região.

Já as vacinas injetáveis estimulam o nosso organismo a combater os microrganismos que, em geral, são transmitidos pelo ar, como é o caso da tuberculose, do sarampo, da catapora e da caxumba, por exemplo.

Ilustração Cruz

Embora haja diferença no local de ação, o objetivo de qualquer vacina é o mesmo: estimular nosso corpo a se proteger de microrganismos que podem causar doenças. Quer saber de uma novidade? Muitos pesquisadores já estudam como fazer para que vacinas tradicionalmente usadas pela via oral possam também ser administradas pela via injetável e vice-versa! Para alguns casos, isso já é realidade. A vacina contra o vírus da poliomielite, por exemplo, pode ser administrada tanto em gotinhas quanto em injeção. Será que, no futuro, poderemos escolher?!

 

Alexander Precioso,
Divisão de Ensaios Cínicos e Farmacovigilância/Instituto Butantan e
Instituto da Criança/HC-FMUSP

Originalmente publicado na CHC 294


Por que existe a declaração dos direitos humanos?

No dia 10 de dezembro de 2018, um documento histórico completou 70 anos: a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ela foi escrita por estudiosos de várias nacionalidades e adotada pela Organização das Nações Unidas, a ONU, uma organização criada para promover a integração entre os países nas mais diferentes áreas.

Na época em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada, fazia pouquíssimo tempo que a Segunda Guerra Mundial tinha acabado, e muita gente ainda estava assustada com os efeitos provocados por esse conflito que envolveu diversos países. Daí veio a ideia de produzir um documento para guiar os países na busca pela paz, uma paz mundial!

Mas essa paz só seria alcançada e mantida se os países integrantes da ONU garantissem os direitos e liberdades fundamentais de cada indivíduo e organizações que existem. A declaração incluiu então 30 artigos que devem ser respeitados por todos. Alguns que podemos destacar são: o direito à vida, à segurança, à livre expressão de ideias, de religião e de organização política.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos também defende o acesso de todos ao trabalho, à moradia, à alimentação, à saúde, à educação e ao lazer. Infelizmente, ter tudo isso escrito não significa que seja cumprido. Até hoje homens e mulheres de todo o mundo lutam para que os artigos do documento da ONU sejam realmente respeitados pelos governos mundo afora.

Por isso, sempre é um bom momento para lembrar a origem desse documento e celebrar a vida, a democracia, a diversidade e paz, você não acha?!

 

Leandro Climaco Almeida de Melo Mendonça,
professor de História/Colégio Pedro II

Originalmente publicado na CHC 294

Organize os pedaços para ver a imagem.


Por que não podemos comer espinafre cru?

Em um desenho animado antigo, chamado “Popeye”, o personagem principal ficava mais forte quando comia espinafre. Realmente, essa é uma verdura rica em minerais, vitaminas e compostos que trazem benefícios ao nosso corpo! Mas o espinafre que consumimos no Brasil está também entre os alimentos com maior conteúdo de ácido oxálico, um composto natural que, dentro do organismo, faz ligações com alguns minerais (principalmente com o cálcio, o ferro e o magnésio), formando sais que o nosso organismo não consegue absorver.

Sais que o organismo não absorve podem se acumular e formar pedras. Isso mesmo! Essas pedras podem se alojar nos rins ou na bexiga, causando problemas de saúde. Quer saber mais? O espinafre cru, por ter o poder de se ligar a certos minerais em nosso corpo, pode acabar nos levando a ter deficiência desses minerais.

Então, devemos deixar o espinafre de lado para sempre? Nãao!!! A solução é simples: cozinhar! Quando cozinhamos ou fervemos o espinafre, o calor diminui a concentração de ácido oxálico. Ah! É importante descartar depois a água usada no cozimento, viu?

Ilustração Cruz

Mais uma dica: se for comer o espinafre refogado, o ideal é consumir, em outros momentos, alimentos com cálcio, como queijo e leite. Lembre-se de não concentrar sua alimentação em poucos alimentos. Diversidade e equilíbrio na alimentação são fundamentais para manter a saúde!

 

Raquel Pires Campos,
Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Alimentos,
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Originalmente publicado na CHC 294


Por que alguns animais têm conchas?

Você bem sabe que certos super-heróis têm algum tipo de proteção para o corpo. A armadura usada pelo Homem de Ferro é um bom exemplo. Alguns moluscos (não são todos, lulas e lesmas também são moluscos, mas essa é outra história!) não são super-heróis, mas podemos dizer que eles também têm um tipo de armadura: conchas! Elas protegem o corpo mole desses animais – como os mariscos e os caracóis.

A armadura, claro, não pode ficar folgada, por isso, o tamanho da concha varia de acordo com o tamanho do corpo do bicho. Algumas são bem pequenas, como as dos moluscos do grupo Monoplacofora, que medem de três milímetros a pouco mais de três centímetros. Outros moluscos têm conchas bem interessantes, como os do grupo Fissurela (parentes próximos dos caramujos). Um exemplo desse grupo é o “chapéu chinês”, encontrado em pedras de praias de todo o mundo. Pois é, o chapéu chinês não veio da China, não luta Kung fu, mas é um especialista em ficar camuflado nas pedras com sua concha. Paradinho, ele fica aguardando a maré alta para se alimentar de algas marinhas, que raspa das pedras com a ajuda de sua fileira de dentes. Seu nome vem da aparência da sua concha, que lembra a forma triangular de um lindo chapéu chinês.

 

Mariana Tupiniquim,
Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus/BA)

Originalmente publicado na CHC 295

Ilustração Walter Vasconcelos

Encontre pares de animais com conchas.


Por que o pelo do urso-polar é branco?

Porque o pelo branco é uma ótima adaptação ao ambiente em que ele vive: a neve! É por isso, mas existem outras características no seu pelo que vão além da cor, resultado de um processo de evolução do animal que começou há milhares de anos.

Há pelo menos 480 mil anos, o urso-polar e seu “primo”, o urso-marrom, se diferenciaram de seu ancestral comum. Os ursos-polares continuaram com a pele marrom, mas o pelo que recobre essa pele é branco. O pelo branco cria uma camuflagem perfeita por onde quer que o urso-polar ande ou nade. Essa mudança só foi possível porque os ursos-polares sofreram alteração em um gene, que controla a cor da pele e do pelo em mamíferos. Assim, os ursos-polares com pelos brancos se tornaram mais adaptados ao ambiente em que eles viviam, garantindo sua sobrevivência na neve e passando essa característica para os seus descendentes…

Ilustração Walter Vasconcelos

E tem mais: o urso-polar desenvolveu não só uma, mas duas camadas de pelos brancos, outra adaptação a esse ambiente de temperaturas normalmente abaixo de zero. Uma camada de pelo é mais densa e baixa, e isola o frio. A outra camada tem pelos mais compridos. Somando os pelos com a camada grossa de gordura que os ursos-polares possuem, eles ficam protegidos na neve. Garanto que você não sabia dessa! Mais uma curiosidade: na segunda camada, os pelos são brancos e ocos como canudinhos! Isso faz com que os pelos reflitam toda a luz que incide ali, dando uma visão esbranquiçada, como a neve e o gelo. Qual é a consequência disso? Quanto mais luz reflete sobre os pelos, mais brancos esses ursos parecem! Mas saiba que nem sempre esses ursos ficam branquinhos… Os pelos podem ficar esverdeados pela presença de algas, ou amarelados, pela gordura da pele.

 

Salvatore Siciliano,
Laboratório de Enterobactérias,
Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz

Originalmente publicado na CHC 295

Pinte as cenas. Não esqueça de colorir os animais de acordo com o ambiente em que vivem.


Por que o cálcio é importante para a alimentação das crianças?

Alguma vez você fez cara feia para a comida e alguém lhe disse: “saco vazio não para em pé!”. Ou alguém mandou você tomar muito leite, para crescer, ter ossos e dentes fortes! Isso não se trata de uma ladainha dos adultos. Alguns componentes dos alimentos são especialmente importantes na infância, como é o caso do cálcio.

O cálcio é um mineral que tem várias funções no nosso corpo. Ele ajuda no crescimento e desenvolvimento de ossos e músculos, por exemplo. Mas isso não quer dizer que quando paramos de crescer podemos parar de consumir cálcio. Nada disso! O cálcio é importante para a vida inteira! Como é naturalmente armazenado nos ossos e nos dentes, uma alimentação pobre em cálcio pode fazer com que o organismo retire o mineral dessas reservas, deixando a pessoa com ossos mais frágeis e problemas dentários.

Alguém perguntou onde encontramos cálcio? Fácil, fácil… no leite, no iogurte natural, nos queijos brancos, nas folhas verdes e no feijão. Bom apetite!

 

Gabriela Pap,
Universidade de São Paulo

Originalmente publicado na CHC 295

Ilustração Walter Vasconcelos

Encontre no caça-palavras 5 alimentos ricos em cálcio.


Por que é muito importante conviver com as diferenças?

Dê uma olhadinha à sua volta. Tanto faz se você está na escola, na rua ou em casa… Quantas diferenças você vê entre as pessoas ao seu redor? Muitas, não é? Pode ser diferença de altura, de idade, na cor dos cabelos, dos olhos, da pele. Pode ser que alguém tenha nascido em uma cidade ou país diferente do seu. E outras pessoas podem não ouvir, não ver ou não andar. As possibilidades de diferenças são infinitas!

Essa diversidade é a beleza do nosso mundo. Mas uma coisa tem que ser a mesma: todos devemos nos respeitar e conviver uns com os outros, sem levar em conta as diferenças superficiais que cada um tem. Em toda sociedade, essas diferenças existem. Mas a convivência fica muito melhor quando se entende que o outro é diferente… mas é também igual, como ser humano e como cidadão! Só com esse respeito entre nós é que podemos ter uma sociedade que busca direitos iguais para todos. E deveres também… Um dos princípios mais importantes de uma sociedade é que todos, adultos e crianças, sejam iguais perante a lei estabelecida em um país.

Ilustração Walter Vasconcelos

Teresa da Costa D’ Amaral,
Superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD)

Originalmente publicado na CHC 293


Por que é importante descansar e tirar férias?

No verão, o calor aumenta, as pessoas (crianças e adultos) se dão conta de que mais um ano se passou e se sentem cansadas. Mas, ao mesmo tempo, estão satisfeitas por terem feito tanta coisa: estudaram, praticaram esportes, se divertiram, trabalharam, fizeram novas amizades… E você? Como foi seu ano? Muitas e muitas conquistas, sem dúvida! E também algumas frustrações, normal… Afinal, as coisas geralmente não acontecem exatamente como planejamos, daí o desafio de aprender a se adaptar, constantemente, para crescer e aprender.

A cada nova experiência, a gente tenta aproveitar da melhor forma as oportunidades que surgem, como quando fazemos um passeio inédito, conhecemos o novo vizinho, recebemos a dica de um ótimo livro para ler, nos reunimos com a turma para aprender um novo jogo… E sabe qual é o melhor período do ano para brincar de mudar tudo, virar pelo avesso, sair da rotina, olhar para dentro da gente, celebrar todos os aprendizados e conquistas que realizamos a cada ano? Isso mesmo: as FÉRIAS!

Férias é o momento para dar um tempo, fazer tudo meio ao contrário do que fizemos o ano todo, recarregar a bateria, descobrir coisas novas! Além de ser a época do ano mais dedicada à diversão, esse período de descanso representa uma saudável e importante oportunidade de relaxar, repor as energias para mais um ciclo que chegará em breve. As férias existem para dar o necessário descanso ao corpo e à mente. Que bom, não é?

Por isso, nas férias de verão, esperamos e desejamos que todos vocês tenham se cuidado, descansado, passado os melhores momentos junto aos familiares, aos amigos mais queridos e… com vocês mesmos! Olhando para dentro da gente, aprendemos mais sobre os próprios desejos e sentimentos.

Ilustração Mariana Massarani

Márcia Stein,
Editora Científica/Ciência Hoje das Crianças

Originalmente publicado na CHC 296


Por que espirramos?

Tem gente que espirra baixinho. Tem gente que faz um barulhão. Seja qual for o seu caso, saiba que o espirro é uma reação normal do nosso corpo e não depende da nossa vontade. Ele pode ser provocado por poeira, pólen, fumaça… Mas também por microrganismos, como vírus e bactérias causadores de gripes e resfriados. Ah, sim! Às vezes o espirro é uma simples reação alérgica – àquele perfume, por exemplo, que parece fazer coceira no nariz!

Ilustração Walter Vasconcelos

Quando o cérebro recebe a informação da presença de corpos estranhos no nariz, os pulmões se enchem de ar, e os músculos envolvidos na respiração, como os das costas e do abdômen, se contraem bem forte para liberar todo o volume de ar, de uma vez só, por meio do nariz e da boca. Lá vem o… atchim!

O espirro é importante para limpar as vias áreas, o caminho do ar dentro do corpo. Por isso espirramos mais quando estamos resfriados. Essa limpeza das vias aéreas é também valiosa para o nosso sistema de defesa. Então, não prenda seu espirro!

Mas e quando vem um espirro atrás do outro? Nessas situações, lave bem o rosto e limpe o nariz com soro fisiológico. Isso ajuda a eliminar as partículas que podem estar lá dentro. Mas, se a crise continuar, procure cuidados médicos. E… saúde!

 

Rachel Ann Hauser Davis,
Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz

Originalmente publicado na CHC 298


Por que parentes de reis e rainhas do passado brasileiro não continuam sendo nobres no Brasil?

Em um passado não muito distante, quando o Brasil ainda era considerado território de Portugal, tivemos por aqui um rei, dois imperadores, imperatrizes, príncipes, princesas… Esses membros da Monarquia deixaram descendentes, que não são mais considerados nobres. Ou seja, seus títulos de duque, duquesa, barão, baronesa, príncipe, princesa… não valem mais nada em nosso país. E por quê?

Porque o Brasil mudou o seu regime de governo. Antes, na Monarquia, as pessoas eram entendidas como naturalmente diferentes perante a lei de acordo com seu nascimento, e tinham um monte de privilégios. Mas o Brasil deixou de ser Monarquia e passou a ser República, uma forma de governo que não admite privilégios de nascimento, desconhece títulos de nobreza e todas as suas regalias.

Ilustração Walter Vasconcelos

Na época em que foi proclamada a República, em 1889, a família real foi banida do Brasil. Seus familiares só puderam voltar ao país em 1920. Mas não tiveram mais os títulos de nobreza reconhecidos. Se algum integrante da família Orleans e Bragança – que teve origem no casamento da conhecida princesa Isabel Bragança (filha do imperador Dom Pedro II) com Gastão de Orleans (neto do rei Luis Filipe, da França) – se apresentar como príncipe ou princesa, não quer dizer que seja de verdade.

Isso também está escrito na nossa Constituição atual, publicada em 1988. Ela reforçou a Constituição de 1891, com uma afirmação: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

 

Francisco Aimara C. Ribeiro,
Instituto de História,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Originalmente publicado na CHC 298


Por que alguns cogumelos cheiram como carne estragada?

Andando por um jardim, sentimos aromas agradáveis, como os de algumas plantas com flores, que atraem borboletas e abelhas. Mas também podemos sentir cheiro de carne estragada, sem que ninguém tenha despejado lixo no local.

Esse cheiro de carne estragada (bem forte e desagradável) vem de um cogumelo do gênero Phallus, também conhecido como véu-de-noiva. O fedor pode ser percebido a metros de distância, mesmo dentro de uma floresta, onde vários cheiros se misturam.

Com esse cheiro ruim, os cogumelos atraem moscas e outros insetos que se alimentam de seu “chapéu”. Ao fazer isso, os insetos engolem muitos esporos ou ficam com eles grudados em seu corpo. Os esporos são as células de reprodução dos fungos que têm capacidade de gerar um novo indivíduo. Assim, quando os insetos voam para longe e levam junto os esporos do Phallus, ajudam na reprodução desse fungo.

Foto Vinayaraj/Wikimedia Commons

Além do véu-de-noiva, existem ainda outras espécies de fungos com essa estratégia de atrair pelo fedor para garantir a sua reprodução! Vai um pregador de nariz aí?

 

Larissa Trierveiler Pereira,
Gestão Ambiental,
FATEC (Itapetininga/SP)

Originalmente publicado na CHC 301


Por que existem leis especiais no Brasil para crianças com deficiência?

Vamos lembrar primeiro que a criança com deficiência é, antes de tudo, uma criança brasileira! Destacar isso é importante para garantir igualdade de tratamento e de oportunidades, sabia?

As crianças recebem atenção especial das nossas leis. E as crianças que precisam ter atenção especial são prioridade! Entre elas, estão as crianças com deficiência. Elas precisam desse cuidado diferenciado para que possam se desenvolver…

A lei brasileira fala, por exemplo, do direito à educação inclusiva. Quer dizer que as crianças com deficiência têm o direito de frequentar as mesmas escolas que as crianças sem deficiência. E essas escolas devem oferecer tudo aquilo que a criança com deficiência precisa para aprender! Quer ver só?

Ilustração Walter Vasconcelos

Para que uma criança cega possa se alfabetizar, ela precisa aprender a ler e escrever braile. O braile é um sistema de escrita inventado no século 19 pelo educador francês Louis Braille, que era cego. Esse sistema é formado por pontinhos em alto relevo que são “lidos” com as pontas dos dedos. Os pontos significam letras do nosso alfabeto. Uma criança cega na escola precisa de material impresso em relevo e também de uma reglete para escrever. Sim, reglete! É uma pequena prancheta com folhas de papel, uma régua de aço com furos e um furador de papel que vai permitir a essa criança escrever em braile.

Ter acesso a tecnologias especiais é um dos meios para atingir a igualdade. No caso das crianças com deficiência, essas tecnologias são chamadas de tecnologias assistivas. E elas estão na nossa lei!

 

Teresa da Costa D’ Amaral,
Superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD)

Originalmente publicado na CHC 293


Por que não podemos viver sem as florestas?

As florestas protegem as nascentes e garantem água para todos.
Foto Wikipédia

Sem as florestas não conseguiremos manter o equilíbrio em nosso planeta. E por quê? Boa pergunta… Imagine um dia quente. Que calor, hein? Agora, imagine que neste dia quente você pode se proteger debaixo da copa de uma árvore. Bem melhor, não?

Com esse exemplo simples, conseguimos perceber o quanto as florestas são fundamentais para amenizar o clima. Não estamos falando apenas da sombra, mas de elas absorverem parte do gás carbônico, que aquece a Terra, e produzirem oxigênio, indispensável à respiração. Sim, sim, as florestas fornecem alimentos a muitas espécies, incluindo a nossa. Delas extraímos, também, muitas plantas, que são empregadas na produção de medicamentos.

Agora, e a água doce? Qual a sua relação com as florestas? Outra pergunta boa. As florestas protegem as nascentes e garantem água para todos. Um papel de grande valor desempenhado pelas florestas é o de proteger e preservar os mananciais de água doce. Não entendeu? Manancial é onde a água nasce para depois seguir seu curso na forma de um rio, originando lagos e lagoas, por exemplo. Para que existam mananciais, é preciso água da chuva. Água esta que cai sobre as árvores da floresta, é armazenada nas folhas mortas que cobrem o solo e é lentamente absorvida, indo parar nos lençóis subterrâneos, que, por sua vez, abastecem os mananciais. Destruir as florestas é colocar em risco a água doce disponível para todas as espécies.

 

Sonaira Souza da Silva,
Centro Multidisciplinar,
Universidade Federal do Acre

Adaptado de ‘Florestas: conservação em ação’, CHC 265


Por que a Igreja Católica começou a perseguir pessoas acusadas de bruxaria a partir da Idade Média?

Desde que os humanos começaram a se organizar em grupos, lá na Pré-História, havia a crença em algum tipo de magia. Os praticantes – chamados feiticeiros, curandeiros ou xamãs – podiam ser temidos ou amados, mas quase sempre eram respeitados por seu poder.

Os povos da Antiguidade continuaram a praticar a magia. Em muitos casos, os magos eram também sacerdotes dedicados a um deus ou a uma deusa, como acontecia no Egito. Assírios, fenícios, gregos e romanos viviam num mundo em que rituais, sacrifícios e encantamentos eram práticas comuns.

Ilustração Lula Palomanes

Na Idade Média, período compreendido entre os séculos 5 e 15, as coisas mudaram. A Igreja Católica – que era muito próxima dos reis e tinha como missão fazer com que o maior número de pessoas acreditasse em um único Deus e seguisse os mandamentos do catolicismo – começou a se sentir incomodada com as práticas de feitiçaria. Acreditava-se que a magia podia ser usada para praticar o mal e muitas leis foram criadas para evitar isso.

Mas, imagine! Àquela época, não se tinha entendimento sobre muitos fenômenos naturais, então tinha gente sendo levada ao tribunal sob acusação de fazer cair geada no verão, algo que a meteorologia pode explicar.

No final do século 12, a Igreja Católica – com o apoio dos principais monarcas da Europa – tinha se organizado ainda mais para combater todos aqueles que considerava uma ameaça à doutrina cristã. Criou tribunais que se reuniam durante algum tempo para investigar, julgar e punir os hereges – pessoas cujas crenças e opiniões contrariavam o catolicismo – e, também, os acusados de outros tipos de crime, incluindo, claro, os que envolviam a prática da magia.

 

Ana Lúcia Merege,
Biblioteca Nacional

Adaptado de ‘Quem acredita em bruxas?’, CHC 283


Por que o queijo é fedorento?

Na verdade, não existe queijo fedorento, e sim com cheiro, digamos, diferente. Cada tipo de queijo tem seu cheiro próprio. Isso depende do leite usado na fabricação (se de vaca, ovelha, cabra, búfala). Depende também se o leite usado veio direto do animal ou se veio da indústria. Depende ainda do modo de fazer.

Pode conferir. Pegue um pedacinho de queijo prato, outro de parmesão e outro de queijo Minas. Você vai perceber que cada qual tem um cheirinho que é só seu – o ‘seu’ aqui é do queijo, viu?!

Falando em queijo Minas, nem todo queijo Minas é igual, sabia? Logo após ser fabricado, ele é branco, macio e tem cheiro suave. Após a maturação ou cura – que é o tempo que o queijo fica descansando antes de ser comido – o cheiro se torna mais forte. Portanto, quanto mais amarelo é o queijo Minas, mais forte é o seu cheiro.

Ilustração Walter Vasconcelos

E o que dizer dos queijos de cor verde-azulada, como o gorgonzola e o Roquefort? Tem gente que, pelo cheiro forte e pela cor, jura que estão estragados, mas não estão.

Pensando bem, queijo fedorento é queijo estragado de verdade. Isso acontece quando faltam cuidados com a higiene, o transporte e o armazenamento, favorecendo a contaminação por fungos e bactérias indesejáveis. A atividade desses micróbios, além de estragar o queijo, gera cheiros desagradáveis. Isso sim, um verdadeiro fedor!

 

Paulo Robson de Souza,
Laboratório de Prática de Ensino de Biologia,
Instituto de Biociências/UFMS

Originalmente publicado na CHC 289

Caixa de curiosidade

Os queijos esverdeados ou azulados, tais como os tipos gorgonzola e Roquefort, são famosos por terem sabor e aroma muito fortes. A cor, o cheiro e o gosto são resultado da ação de fungos (os mesmos que causam mofo) colocados para crescer dentro da massa, com o objetivo de amadurecer o queijo de forma diferenciada. Tantas são as pessoas que apreciam esses queijos mofados e os pratos feitos com eles que não podemos chamá-los de… fedorentos!


Por que existem lugares na Terra onde o Sol nunca se põe durante uma época do ano?

Para entender como isso acontece, você precisa saber algo importante: a distribuição da luz solar na Terra varia de acordo com o movimento que nosso planeta faz em torno do Sol.

Nosso planeta gira em torno dele mesmo, e gira em torno do Sol também. É a partir daí que se determina a duração do dia e da noite, e também das estações do ano. Quer saber mais um fato importante nessa história? A Terra gira em torno do Sol com uma pequena inclinação. Isso mesmo! Uma inclinação suficiente para deixar uma das duas regiões polares da Terra sempre exposta à luz do Sol. Em alguns meses do ano, o Sul fica mais exposto ao sol. Em outros meses, é o Norte que recebe mais luz.

Quando isso acontece, ocorre o que chamamos de Sol da meia-noite nessas regiões, quando elas ficam completamente iluminadas durante suas noites. A posição da Terra em relação ao Sol é que torna esse evento possível durante seis meses do ano.

Se, na época em que acontece esse fenômeno, você quisesse ver o pôr do sol nessas regiões, iria precisar de muita paciência… De meses de paciência, na verdade! É como se o sol “parasse” bem na hora de desaparecer no horizonte! Ele nasce durante a primavera e não se põe até o fim do verão. Nesse intervalo, fica no ponto mais baixo no céu, perto da linha do horizonte. Por outro lado, nos outros seis meses do ano, a situação se inverte, e a noite dura mais que o dia nesses lugares.

Amaury A. de Almeida
Departamento de Astronomia,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo

Elisa Martins
Jornalista,
Especial para a Ciência Hoje das Crianças

Adaptado de ‘Você sabe que lugar é esse?’, CHC 290


Por que os dias são mais quentes e mais longos no verão?

Imagine uma linha reta unindo os polos Norte e Sul da Terra. Essa linha imaginária é chamada eixo terrestre. Quando a Terra gira em torno do Sol, o eixo terrestre fica ligeiramente inclinado em relação ao plano do movimento. Por causa desta inclinação, a luz e o calor do Sol não chegam com a mesma intensidade em todos os pontos da Terra ao longo do ano. Dependendo da época do ano, o hemisfério Sul (metade inferior do planeta) pode receber mais calor solar do que o hemisfério Norte (metade superior do planeta). Neste caso, é verão no Sul e inverno no Norte. Quando é o hemisfério Norte que recebe mais calor, é verão no Norte e inverno no Sul.

Durante o verão, o dia amanhece mais cedo e a noite chega mais tarde. Ao longo dos três meses desta estação, o Sol irá, vagarosamente, rumar para a direção Norte e os raios solares ficarão mais inclinados em relação à vertical. No início do outono, o dia e a noite têm a mesma duração: 12 horas. Isso acontece porque o Sol estará batendo exatamente em cima da linha do Equador, que divide os hemisférios Norte e Sul. O Sol, no entanto, continuará distanciando-se para o Norte. Seus raios terão a máxima inclinação com a vertical no início do inverno, quando, ao contrário do verão, o dia é mais curto e a noite mais longa. Em seguida, o Sol começará a voltar na direção Sul. Virá, então, a primavera, quando, novamente, haverá um dia e uma noite iguais de 12 horas. Passado um ano, ocorre o início de um novo verão.

Gilson Gomes Vieira,
Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro

Adaptado de ‘O giro das estações’, CHC 282


Por que é importante preservar a vegetação que fica à beira de rios?

A vegetação que cresce na beira do rio protege as águas da poluição.
Foto Jean Carlos Miranda

A vegetação que cresce às margens dos riachos é chamada de mata ciliar. A mata ciliar protege a água, assim como nossos cílios protegem os nossos olhos; por isso tem este nome.

A mata ciliar ajuda na manutenção da temperatura e da qualidade da água. Além de oferecer abrigo e alimento a diversas espécies de animais, ela protege as margens do rio e controla a radiação solar que atinge a água. As raízes das plantas que compõem a mata ciliar mantêm a margem do rio no lugar, sustentando a terra e deixando que caia no rio somente o material necessário para que os peixes façam seu abrigos, como pequenos galhos e folhas.

A mata ciliar atua como um filtro contra poluentes. Ela é uma barreira natural à entrada de pesticidas, herbicidas e fertilizantes para dentro do rio. Quando a mata ciliar é destruída, essas substâncias entram facilmente nos rios, alteram a composição da água e os peixes podem morrer.

 

Rosana Souza-Lima Maíra Moraes Pereira,
Departamento de Ecologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Jean Carlos Miranda
Departamento de Ciências Exatas, Biológicas e da Terra, Universidade Federal Fluminense

Adaptado de ‘Peixes de riacho em perigo’, CHC 282


Por que o tipo físico dos atletas é diferente em cada esporte?

Quando alguém escolhe ser atleta por profissão, sonha em ganhar competições, até mesmo, em representar o seu país em grandes torneios. A busca pelo sucesso no esporte inclui algumas exigências de biótipo, isto é, de características físicas.

Por exemplo: para ser um atleta de basquete, vôlei ou handebol, a altura é um requisito muito importante. Imagine que as meninas e os meninos considerados baixinhos nesses esportes não medem menos de 1,80 metro! Na ginástica, porém, o que conta é a flexibilidade. Para a esgrima, o box e a natação, importante mesmo é a envergadura, ou seja, a distância entre os dedos médios, com os braços estendidos na horizontal. Uma baixa quantidade de gordura debaixo da pele é uma característica importante para o bom desempenho dos maratonistas, mas traz prejuízos aos maratonistas aquáticos, que precisam flutuar e manter a temperatura corporal em níveis adequados.

Envergadura é importante para atletas na natação, mas sabia que ter pés compridos também ajuda? Com isso, o nadador consegue mais impulso dentro d’água.

No rúgbi, as características corporais podem variar conforme a função dos atletas na equipe. Os jogadores de ataque costumam ser mais altos, mais fortes e têm envergadura significativamente maior do que os que jogam atrás, na defesa. No futebol, a defesa é que costuma ser composta pelos mais altos e mais fortes, enquanto o ataque não requer um tipo físico específico.

As lutas, por sua vez, levam em conta a massa corporal (peso) para classificar os atletas por categoria. Assim, a disputa fica mais equilibrada entre competidores com biótipo semelhante.

Ilustração Marcello Araújo

Adroaldo Gaya, Anelise Gaya, Daniel Garlipp, Fabio Santos e Eraldo Pinheiro,
Projeto Esporte Brasil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Adaptado de ‘O esporte e o tipo físico’, CHC 281


Por que o caramelo tem aparência brilhante, parecida com vidro?

Foto Wikipédia

O caramelo é feito apenas de açúcar. Para fazê-lo, basta colocar o açúcar em uma panela e levá-la ao fogo. O calor do fogo altera a estrutura química do açúcar (reação conhecida como caramelização) e faz com que ele mude de cor e consistência.

Para entender o processo de forma detalhada, precisamos saber que o açúcar comum – que usamos para adoçar o café, o leite etc. – é conhecido pelos químicos como sacarose. A sacarose, por sua vez, é formada pela união de dois outros açúcares: a glicose e a frutose. A produção de sacarose é feita, principalmente, pelas plantas – como a cana-de-açúcar e a beterraba.

Quando vai ao fogo, a sacarose passa do estado sólido para o líquido ao atingir a temperatura de 179oC. Mantida nesta temperatura por algum tempo, ela sofre uma série de transformações químicas, como a quebra da molécula original em glicose e frutose. A união de várias moléculas de glicose ou de frutose e a evaporação da água dessas moléculas dão a aparência de vidro ao caramelo. Outras reações químicas que ocorrem durante a caramelização são responsáveis pelo aroma característico desse doce e pela sua cor marrom.

 

Joab Trajano Silva,
Departamento de Bioquímica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Adaptado de ‘Ciência com gosto de açúcar’, CHC 278


Por que o ano novo chega primeiro em Tonga?

Em primeiro lugar, vamos saber onde fica Tonga! O Reino de Tonga fica na Oceania, na região conhecida como Polinésia, não muito distante da Nova Zelândia. Ele é formado por um arquipélago de 170 pequenas ilhas, mas apenas 36 delas são habitadas. Tonga fez parte do Império britânico de 1900 até 1970, ano em que se tornou uma nação independente.

Tonga é um dos primeiros países a entrarem no ano novo. Lá, o relógio está sempre à frente do resto do mundo. Para você ter uma ideia, Tonga está 15 horas à frente do horário de Brasília, capital do Brasil.

Mapa Nato Gomes

Mas por que isso acontece? Porque Tonga é o lugar mais próximo a Oeste da “Linha Internacional de Mudança da Data”. Esta linha imaginária, que corta o planeta de Norte a Sul, foi criada pelos cientistas para marcar o começo da contagem dos dias. Como o Sol nasce no Leste, o ano novo vai chegando para o resto do mundo, a partir de Tonga, para a esquerda (Oeste). Quem cruza a linha de Mudança da Data de Oeste para Leste subtrai um dia no calendário. E quem a cruza no sentindo inverso passa para o dia seguinte!!!

 

Maria lgnez Duque Estrada,
Especial para a CHC

Adaptado de ‘Onde fica? Tonga’, CHC 275


Por que é importante fazer a lista de espécies ameaçadas de extinção?

Ilustração Mariana Massarani

A resposta é simples: a lista dos animais ameaçados é uma base para que o Brasil atue na conservação da sua fauna, que é um patrimônio natural. Assim, qualquer espécie que seja avaliada como ameaçada deve ter prioridade do governo brasileiro para que tenha sua existência na natureza assegurada. Isso orienta diferentes ações, como a elaboração de planos de ação no país inteiro que dizem o que deve ser feito para combater ameaças que colocam em risco as espécies e seus hábitats naturais.

Além disso, quando projetos de grandes construções são propostos pelo governo ou por empresas, é necessária a elaboração de um estudo sobre o meio ambiente que leva em conta a presença de espécies ameaçadas. Se for comprovado que, na localidade onde se deseja construir, há uma espécie ameaçada, isso pode até impedir o prosseguimento das obras.

A lista também auxilia na criação de unidades de conservação, já que a principal ameaça, muitas vezes, é a modificação ou a eliminação do hábitat original. A maneira mais simples de proteger as espécies é conservar sua moradia natural. Desta forma, ao analisar as espécies ameaçadas, o governo muitas vezes propõe a criação de parques ou reservas biológicas com o objetivo de garantir a conservação do ambiente e a diversidade dos animais brasileiros.

 

Alexandra M. R. Bezerra,
Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres, Fundação Oswaldo Cruz

Alberto Akama,
Setor de Ictiologia, Museu Paraense Emílio Goeldi

Adaptado de ‘Quem entra na lista?’, CHC 274


5 animais ameaçados de extinção. Pesquise sobre eles!


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