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Por que não devemos espalhar a ‘fama de mau’ dos tubarões?

Ilustração Mario Bag

Os tubarões não são os monstros malvados que muita gente imagina. Em primeiro lugar, existem mais de 400 espécies de tubarões, algumas delas bem diferentes da imagem típica desses animais. O tubarão-lanterna-anão (Etmopterus perryi), por exemplo, é muito pequeno, não passa de 30 centímetros de comprimento, mesmo quando adulto.

A maior parte dos ataques sérios de tubarões a humanos são causados principalmente por três espécies: o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier), o branco (Carcharodon carcharias) e o cabeça-chata (Carcharhinus leucas). Mesmo assim, os ataques são raros. Cerca de sete pessoas morrem vítimas de ataques de tubarões por ano no mundo. Só para se ter uma ideia, por ano, aproximadamente 30 pessoas morrem por causa de ataques de cachorros e 60 por picadas de abelhas no mundo. Se formos apelar para outros tipos de riscos, mais de 100 pessoas morrem atingidas por raios no Brasil, por exemplo!

Todos os tubarões são predadores, mas o cardápio varia entre as espécies. Os seres humanos não fazem parte do cardápio dos tubarões, mas podem ser atacados, em casos raros, quando são confundidos com outro animal. Por isso, muitos ataques ocorrem em situações de baixa visibilidade, como em locais de água turva ou turbulenta, em que o tubarão não consegue visualizar bem o que está à sua frente. Por isso, logo depois de morder a pessoa, o tubarão percebe o engano e geralmente solta a vítima. O problema é que os dentes afiados de alguns grandes tubarões podem causar ferimentos sérios mesmo após uma única mordida.

 

Roberta Martini Bonaldo,
Grupo de História Natural de Vertebrados, Universidade Estadual de Campinas

Adaptado de ‘Os supertubarões: famosos e com sexto sentido!’, CHC 289

Forme pares com as diferentes espécies de tubarão


Por que devemos nos preocupar com os sons que escutamos no dia a dia?

Ilustração Mario Bag

O ruído das cidades já é hoje classificado como um tipo de poluição tóxica, ao lado de outros grandes problemas de poluição ambiental. Por suas consequências, a Organização Mundial de Saúde já considera a poluição sonora como um problema de saúde pública e a classifica como o terceiro tipo de poluição que mais atinge a população mundial, perdendo apenas para a poluição do ar e a água.

Ruído não é qualquer barulho, significa som indesejado, chato, que causa dano à saúde, sendo a perda auditiva o mais conhecido.

O crescimento populacional das cidades tem como consequência o aumento do número de pessoas por metro quadrado, com prédios servindo de moradia para muita gente em pouco espaço. Isso aumenta a chance de haver barulhos indesejáveis gerados por vizinhos: corre-corre no andar de cima, gritos de crianças no parquinho do prédio, som alto, arrastar de móveis, entre outras situações.

O ruído gerado pelo tráfego – rodoviário, aeroviário e ferroviário – também causa desconforto e irritação, especialmente quando se deseja realizar atividades que precisam de atenção e concentração, como estudar e ler, ou descansar e relaxar. É particularmente grave quando interfere no sono, indispensável para a saúde humana.

Todos esses fatores contribuem para a queda da qualidade de vida da população.

 

Paulo Henrique Trombetta Zannin,
Laboratório de Acústica Ambiental – Industrial e Conforto Acústico,
Universidade Federal do Paraná

Adaptado de ‘Qual a medida da poluição sonora?’, CHC 273


Por que alguns organismos são considerados fósseis vivos?

Animais encontrados nas cavernas vivem praticamente isolados, longe do vento, do fogo, da chuva e do Sol, como se estivessem parados no tempo. Alguns são chamados relictos, porque essa palavra significa algo que tem sobrevivido por muitos anos e que traz elementos interessantes sobre o passado.

Relictos biogeográficos é como os cientistas chamam todos os animais e todas as plantas que descendem de seres que ocupavam diferentes ambientes no passado, mas que atualmente são encontrados apenas em ambientes isolados, como montanhas, florestas antigas e cavernas.

Nesses locais, as condições ambientais se mantiveram muito parecidas com as da área geográfica maior que lhes deu origem, permitindo a sobrevivência dos seres que ali existem desde tempos remotos. Por causa dessas condições, que em quase nada se alteraram, o organismo relicto pode ter também características de grupos que já foram mais diversificados no passado. Por isso, eles também são chamados de fósseis vivos.

Trichomycterus dali
Onicóforos
Fotos Robson de Souza

Livia Medeiros Cordeiro e Paulo Robson de Souza,
Laboratório de Prática de Ensino de Biologia,
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Adaptado de ‘Raridades do passado ainda presentes’, CHC 273


Por que as coisas caem?

Aprendemos na escola que as coisas caem por causa da “força” da gravidade. Mas, em 1916, o cientista alemão Albert Einstein publicou a teoria da relatividade geral, que substitui a força da gravidade por uma deformação no espaço. Segundo essa teoria, o que acontece é que corpos de grande massa (estrelas, planetas etc.) “afundam” o espaço ao seu redor. E isso faz com que os objetos na proximidade deles “caiam” nessa deformidade. Os objetos caem porque eles “escorregam” no espaço que está deformado por um corpo muito mais pesado. Quanto maior a massa de um corpo, mais deformação ele vai causar no espaço ao redor dele e, portanto, maior será sua gravidade.

Imagine que o espaço é uma cama elástica, como as usadas por malabaristas de circo. Se pusermos nela uma bola de chumbo (fazendo o papel de um planeta ou uma estrela), a cama (espaço) vai afundar. Um objeto (pedra ou bola de gude, por exemplo) que estiver perto dessa deformação vai cair em direção à bola de chumbo.

A teoria da relatividade geral se tornou uma das maiores contribuições de todos os tempos para o conhecimento – afinal, ela pode explicar por que o universo é do jeito que é.

Ilustração Mario Bag

Cássio Leite Vieira,
Jornalista e historiador da física, especial para a CHC

Adaptado de ‘A teoria que explica por que as coisas caem faz 100 anos!’, CHC 273


Por que os machucados cicatrizam?

Ilustração Mariana Massarani

Regenerar (ou cicatrizar) os machucados é uma das atribuições do sistema imune. Suas células trabalham para reparar infecções e machucados diversos, fazendo o nosso corpo retornar ao seu funcionamento normal.

O sistema imune percebe quando há um problema em alguma parte do corpo humano e manda suas células para o local. Quando um joelho é ralado, por exemplo, o sistema imune é logo avisado desta lesão e corre para reagir ao ferimento.

Essa comunicação é feita entre as células do local do machucado e algumas células circulantes na corrente sanguínea. Como? Bem, as células do nosso corpo produzem diferentes substâncias, como as moléculas chamadas quimiocinas, que guiam outras células, as do sistema imune – chamadas leucócitos –, até o local onde são necessárias.

Quando a região do machucado fica vermelha, inchada e doída, significa que o sistema imune está trabalhando intensamente. Os cientistas e profissionais da saúde chamam esse fenômeno de inflamação.

Após alguns dias, a inflamação diminui e o sistema imune muda o foco para terminar o reparo. Os leucócitos que antes estavam no machucado mudam ou são substituídos por outras células, como os macrófagos, que trabalham junto com as células locais para que a lesão receba um novo tecido.

A regeneração começa, e o machucado tende a desaparecer ou deixa apenas uma cicatriz, que é justamente o novo tecido colocado para substituir o danificado.

 

Rafael Elias Marques,
Laboratório de Imunofarmacologia,
Universidade Federal de Minas Gerais

Adaptado de ‘Caiu, bateu, cortou, doeu!’, CHC 272


Por que o ser humano lançou um telescópio para o espaço?

O Telescópio Espacial Hubble.

O sonho de ter um telescópio que pudesse coletar informações fora da atmosfera é antigo. O Telescópio Espacial Hubble foi lançado ao espaço no dia 24 de abril de 1990, para mandar de lá dados e fotos.

O Hubble pode ver coisas que os melhores telescópios da Terra não conseguem enxergar, apesar de seu espelho não ser o maior. Seu segredo: estar fora da atmosfera terrestre. A camada de ar que envolve o planeta traz dois grandes problemas às observações astronômicas deste tipo: distorção da luz, que é facilmente observada no cotidiano, motivo pelo qual as estrelas parecem cintilar e ter pontas, e a absorção parcial ou total de certos tipos de radiação luminosa.

O Hubble, livre da influência das massas de ar que nos envolvem, pode observar diversos tipos de luz – visível, ultravioleta, infravermelho – sem distorção.

O Hubble ajudou a transformar radicalmente a visão que se tem do universo, derrubando muitas teorias e ideias, e originando muitas outras. Dentre as mais importantes descobertas que foram possíveis com o Hubble, destaca-se a definição da idade do universo.

Galáxia em espiral: imagem captada pelo Hubble.
Fotos NASA

Eder Cassola Molina,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo

Adaptado de ‘Parabéns, Hubble!’, CHC 271


Por que não enxergamos no escuro?

Ilustração Mario Bag

Toda informação visual é baseada em um único tipo de estímulo bem simples: a luz. Detectar a presença ou ausência da luz e converter sua energia em informações como cor, forma e movimento faz parte da capacidade visual dos seres humanos. Perceber o mundo que nos cerca e guiar as nossas ações por meio do que enxergamos também é papel da visão.

Nosso globo ocular capta a luz do ambiente, e esta informação é levada até uma parte do cérebro chamada córtex visual para que possamos perceber o que estamos vendo. A informação luminosa ativa as células fotossensíveis da retina, que, ao serem estimuladas, iniciam um processo para levar a informação até os centros superiores cerebrais. É no córtex visual que construímos a representação de tudo o que aprendemos a partir do mundo que nos cerca, o que incluirá informação como as formas dos objetos, suas cores e intensidades luminosas, suas localizações no espaço, assim como se eles se movimentam e para onde vão.

Enxergar passa a ser mais do que detectar a luz e se transforma em uma construção mental que guia nossas experiências e vidas.

 

Alfred Sholl-Franco,
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mariza Sodré,
Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro

Adaptado de ‘Para enxergar, acenda a luz!’, CHC 271


Por que surgiram as primeiras favelas no Brasil?

A Rocinha, no Rio de Janeiro, é a maior favela do Brasil.
Foto Wikimedia Commons

No Brasil, as primeiras favelas surgiram no começo do século 20, mais precisamente no Rio de Janeiro. Naquela época, os governantes decidiram urbanizar o velho centro da cidade. Isso significava expulsar moradores de determinadas áreas, especialmente os pobres que habitavam os cortiços, que eram um tipo de moradia coletiva. O objetivo era garantir um ambiente mais saudável – em outras palavras, queriam mandar os pobres para longe.

Sem ter onde morar, as famílias expulsas se encaminharam para os subúrbios, onde se abrigaram em outros cortiços, ou passaram a ocupar os morros em torno do Centro, construindo barracos. Sem o apoio dos governantes para atender às suas necessidades básicas – como água, luz e transporte –, os moradores tiveram de encontrar suas próprias soluções para o dia a dia.

Desde sua origem até hoje, as favelas têm isso: uma organização própria. Elas são uma forma de organização do espaço urbano presente em quase todas as cidades atuais.

Agora, por que será que a favela precisa criar suas próprias soluções? Porque, tanto no passado quanto no presente, os governantes não olham as favelas como parte da cidade. Permanece a visão de que é um mundo à parte. E, entendendo assim, não oferecem o mesmo serviço de energia elétrica, limpeza, transporte e tudo mais que se vê nos bairros normalmente.

 

Hilaine Yaccoub,
Departamento de Antropologia,
Universidade Federal Fluminense

Adaptado de ‘A favela: inovações e soluções’, CHC 270


Por que as flores de orquídeas têm uma pétala diferente das outras?

A família das orquídeas apresenta características tão curiosas que não existem em nenhuma outra planta. Uma delas é a presença, nas flores de quase todas as orquídeas, de uma pétala diferente das outras, no formato e nas cores, chamada labelo. Ela ajuda a atrair os polinizadores (em geral insetos), que levam grãozinhos de pólen de uma flor para outra.

Essa troca ativa a produção de sementes, que são espalhadas pelo vento para dar origem a novas plantas.

Algumas orquídeas se passam por namoradas de insetos. Você acredita? O labelo (aquela pétala diferente) tem a aparência e o cheiro de uma fêmea do inseto polinizador, o que faz com que o macho seja enganado: ele acha que vai arranjar uma namorada, mas, ao pousar na flor, consegue apenas grãos de pólen, que leva para outras plantas.

Algumas orquídeas “entregam” o pólen ao inseto com a ajuda do que podemos chamar de armadilhas. O polinizador fica preso em um líquido pegajoso e único jeito de sair é por um tipo de túnel, onde o pólen gruda em suas costas. Outras flores têm uma espécie de “chicote”: assim que o inseto pousa no labelo, recebe uma “chicotada” e vai embora meio tonto, coberto de pólen. Também existem flores de orquídeas com cheiro muito ruim, de coisa podre. Isso acontece porque são polinizadas por moscas, e estas adoram fedor.

A flor da Ophrys speculum parece, nas cores e no cheiro, com uma fêmea de inseto polinizador.
Foto Hans Hillewaert/Wikimedia Commons

Ricardo Menandro,
jornalista e cultivador de orquídeas, especial para a CHC

Adaptado de ‘Orquídeas belas e cheias de truques!’, CHC 269

Forme pares de diferentes espécies de orquídea


Por que o gelo se acumula no continente Antártico?

Na região Antártica, o gelo se acumula sobre o continente como resultado de milhares de anos de neve caindo, empilhada sobre o solo. Normalmente, esta camada de gelo tem dois quilômetros de espessura, mas pode chegar a até quatro quilômetros em algumas regiões, formando enormes geleiras.

Esta grande camada de gelo tem uma característica interessante: ela se move muito devagar, como se fosse um rio que escorrega em câmera lenta em direção ao oceano. Quando ela chega à borda do continente e atinge o mar, começa a flutuar, mas não se quebra, continua fazendo parte da geleira. Esta parte flutuante, mas que ainda está presa ao gelo do continente, é chamada “plataforma de gelo”.

Há ainda outro tipo de gelo que também se forma na região Antártica como resultado do congelamento da água do mar, principalmente no inverno, constituindo uma camada flutuante de, aproximadamente, um metro de espessura e que, normalmente, é coberta por neve. Esse outro tipo de gelo, chamado “gelo marinho”, se move pelos oceanos arrastado pelas correntes marinhas e o vento, e acaba derretendo no verão, após se afastar do continente gelado. No inverno, ele pode chegar a uma área de 19 milhões de quilômetros quadrados, praticamente o dobro do território brasileiro. Já no verão, sua área diminui para três milhões de quilômetros quadrados, área um pouco menor que a região Norte do Brasil!

Gráfico Nato Gomes

Fernando Serrano Paolo,
Scripps lnstitution of  Oceanography,
Universidade da Califórnia

Eder Cassola Molina,
Departamento de Geofísica,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo

Adaptado de ‘Será que todo o gelo da Antártica pode derreter?’, CHC 268


Por que o nosso corpo produz hormônios?

Hormônios são substâncias químicas que as glândulas endócrinas liberam na corrente sanguínea. São eles que regulam, por exemplo, o quanto você vai crescer, suas características femininas ou masculinas (como seios e bigodes) e até informações sobre sua pressão arterial (pressão exercida pelo sangue sobre a parede das artérias), que pode ficar alta, equilibrada, baixa ou irregular. Tudo isso só depende da dosagem certa dos hormônios!

Mas como as glândulas sabem quando e quanto de hormônio deve ser produzido? Esse controle é feito pelo cérebro: quando ele recebe a informação de que a quantidade de um determinado hormônio está baixa, envia um estímulo para a glândula responsável produzi-lo e liberá-lo na corrente sanguínea.

Quando a quantidade de um hormônio está acima do nível normal, o cérebro envia um sinal para que a glândula que o produz reduza ou interrompa a sua atividade. É como se existisse um botão imaginário para calcular a dose hormonal. Com este mecanismo de regulação, a taxa de produção de hormônios varia de acordo com as necessidades do organismo.

Ilustração Marcello Araújo

Rosana da Conceição Araújo Maia,
Programa de Pós-Graduação em Saúde e Nutrição,
Universidade Federal de Ouro Preto

Carolina Morais Araujo,
Núcleo de Pesquisa em Ciências Biológicas,
Universidade Federal de Ouro Preto

Adaptado de ‘A fantástica fábrica de hormônios’, CHC 267


Por que em algumas regiões do planeta chove mais do que em outras?

Tudo começa na região da linha do Equador, linha imaginária que divide a Terra em duas metades: os hemisférios Norte e Sul. Nessa região do planeta, o ar esquenta mais e sobe como em um balão. Nas proximidades da linha do Equador, a água do mar é aquecida e evapora. Em terra firme, dois fenômenos acontecem, a evaporação das águas e a transpiração das plantas. O ar quente sobe e leva com ele a umidade. Essa grande umidade forma grandes nuvens. Como esse é um fenômeno climático comum na zona equatorial, é por isso que chove muito por ali, favorecendo a existência de florestas, como a Amazônica, a do Congo e a da Indonésia.

Esse ciclo de calor que faz o ar aquecer e subir, a água evaporar e provocar muitas chuvas, uma hora se fecha. Quando isso acontece, o ar desce seco. O ar desce para completar o ciclo em direção aos trópicos, linhas imaginárias localizadas um pouco acima e abaixo da linha do Equador. Por isso, os desertos ficam nos trópicos.

Mapa Nato Gomes

Silvia Regina Gobbo Rodrigues,
Universidade Metodista de Piracicaba/SP

Adaptado de ‘Chove? Não chove? Por quê?’, CHC 266

Organize a imagem


Por que os ursos polares e os pinguins não morrem de frio, mesmo vivendo em regiões com temperaturas abaixo de zero?

A resposta é simples: além dos pelos nos ursos e das penas nos pinguins, camadas espessas de gordura abaixo da pele colaboram para que estes animais se mantenham aquecidos a partir da termogênese.

Termogênese é o fenômeno da produção de calor (termo = calor + gênese = produção). Esse processo está presente em diversos organismos que habitam a Terra, e isso inclui os seres humanos. Nos mamíferos e nas aves, ele é responsável pela manutenção da temperatura corporal.

Mas onde e como será que ocorre essa produção de calor? Pois bem! O corpo é formado por partículas minúsculas chamadas células. E as células, por sua vez, são compostas por organelas. Assim como os nossos órgãos, as organelas celulares têm funções diferentes. As mitocôndrias são as organelas responsáveis pela respiração da célula e… pela termogênese.

No corpo dos mamíferos e das aves, existem camadas de gordura abaixo da pele – algumas espécies têm mais que outras. Essas camadas são chamadas de tecido adiposo, e são formadas por células com muitas mitocôndrias. Resultado: o tecido adiposo (gordura) é considerado o principal responsável pela produção de calor.

Quem coloca as mitocôndrias para trabalhar e produzir calor é uma proteína, também presente no tecido adiposo. Ela provoca um curto-circuito, ou melhor, uma reação química nas mitocôndrias do tecido adiposo, fazendo com que elas gerem muita energia a partir dos nutrientes dos alimentos. Essa energia, porém, não fica guardada dentro das células: ela é liberada na forma de calor, e isso aquece os animais.

Ilustração Jaca

Karina Barbosa de Queiroz,
Núcleo de Pesquisa em Ciências Biológicas,
Universidade Federal de Ouro Preto

Adaptado de ‘O calor do corpo’, CHC 265


Por que nem toda abelha produz mel?

Abelhas que têm hábitos solitários não fabricam mel. Elas constroem seus ninhos e os abastecem com pólen. Depois, põem seus ovos, fecham a entrada e não voltam mais lá para cuidar da prole. Quando as larvas nascem, alimentam-se do estoque deixado pelas mães, até que a reserva de comida acabe. Começa, então, a fase de pupa (ou metamorfose), quando as larvas se transformam e adquirem a aparência das abelhas que conhecemos. No fim dessa fase, são adultas e saem voando por aí para se alimentar e, de quebra, polinizar as plantas.

Já as abelhas-sociais, como as da popular espécie Apis mellifera, vivem em ninhos com muitos indivíduos, onde adultos e larvas convivem. Em geral, cada ninho tem uma abelha-rainha, que é a mãe de todas as operárias. Abelhas-operárias fazem a limpeza da colmeia, alimentam as larvas e a rainha, abastecendo o ninho com pólen e néctar. Nesses grupos, vivem também os zangões, machos que aparecem praticamente só no período de reprodução.

São as abelhas-sociais que fabricam o mel de que nós, humanos, tanto gostamos. Também vêm delas o própolis, a cera e a geleia-real (somente das abelhas do gênero Apis). No Brasil, a abelha mais conhecida e usada para a produção de mel é a da espécie Apis mellifera. Agora considerada nativa de nosso país, essa abelha é – como grande parte do povo brasileiro – resultado da mistura de abelhas europeias e africanas.

Foto Jon Sullivan/Wikipédia

Carminda da Cruz-Landim,
Instituto de Biociências de Rio Claro,
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Adaptado de ‘Zum-zum-zum no jardim’, CHC 260


Por que Peter Lund é considerado o pai da paleontologia brasileira?

Ilustração Lula Palomanes

Peter Lund nasceu na Dinamarca em 1801. Entrou na Universidade de Copenhague aos 17 anos. História natural – como era chamado o conjunto de estudos dos seres vivos e seu passado – era sua paixão. Naquela época, o que um naturalista precisava fazer era sair pelo mundo coletando animais, plantas e fósseis, e o Brasil pareceu a Peter um destino perfeito: o clima era quente e a região, pouco explorada, mas cheia de belas paisagens.

O cientista tinha 24 anos quando veio para o Brasil. Passou quatro anos nas proximidades da cidade do Rio de Janeiro e coletou animais e plantas, que foram enviados a museus na Dinamarca. Retornou à Europa e, apesar do conforto da vida que tinha por lá, sentia que seu trabalho no Brasil ainda estava inacabado. Em 1832, aos 31 anos, embarcou novamente para o Rio de Janeiro – e nunca mais voltou.

Em 1833, Peter iniciou uma expedição pelo interior do Brasil. No caminho, ficou encantado ao observar fósseis animais encontrados por um colega nas cavernas da região de Curvelo, em Minas Gerais. Aquilo parecia um ótimo tema de pesquisa!

Com isso em mente, o naturalista se mudou para a cidade de Lagoa Santa, a cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte, e começou a explorar as mais de 800 grutas da região. Além dos muitos fósseis animais, observou atentamente os animais vivos da região, o que o levou a perceber uma clara relação entre as espécies fósseis e atuais.

 

Pedro Da-Gloria e Walter Alves Neves,
Departamento de Genética e Biologia Evolutiva,
Universidade de São Paulo

Adaptado de ‘Peter Lund: o homem das cavernas’, CHC 255


Por que os cientistas estudam os cometas?

Ilustração Jaca

Não é só a beleza da aparição dos cometas que chama a atenção para esses corpos celestes. Há importantes motivos para estudá-los a fundo. Um deles está relacionado à enorme importância que os cometas tiveram para o desenvolvimento de nosso planeta: acredita-se que grande parte da água existente no planeta e muito material orgânico surgiram do choque desses corpos celestes com a Terra primitiva.

Se essas informações são, de fato, verdadeiras, ainda não se abe. Mas alguns cientistas já sabem, por exemplo, que muitas moléculas importantes para a vida estão presentes nos cometas. Todos os cometas deveriam ser somente “bolas de gelo com poeira”, mas alguns destes corpos apresentam evidências de água no estado líquido em algum momento de sua existência. Eles podem ter sido, sim, a principal fonte para a existência de vida na Terra.

Outra razão para o estudo dos cometas tem relação com a sobrevivência dos animais mamíferos, como os humanos. Há pesquisas que relacionam o fato de os mamíferos terem conseguido dominar a Terra com a colisão de um corpo celeste enorme, possivelmente um cometa, contra o planeta há 65 milhões de anos! Essa pode ter sido uma das causas da extinção de grande parte dos dinossauros, o que acabou permitindo a pequenos animais, como os mamíferos, sobreviverem.

 

Eder Cassola Molina,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo

Adaptado de ‘É um pássaro? Um avião? Não! É um cometa!’, CHC 252


Por que animais e plantas podem ser usados como bioindicadores?

Assim como nós, humanos, outros animais e também as plantas podem adoecer ao entrarem em contato com certos microrganismos ou com resíduos presentes no ambiente. Por isso, observar a saúde dos seres vivos pode nos fornecer importantes pistas sobre as condições do ambiente onde eles vivem. Esse tipo de estudo é conhecido pelos cientistas como biomonitoramento. Os seres vivos utilizados nesta observação são chamados bioindicadores.

É claro que o uso de bioindicadores não é a única forma de verificar se está tudo bem com o meio ambiente. Os cientistas têm à disposição muitos equipamentos para medir, por exemplo, a intensidade das chuvas, a umidade do ar, a velocidade dos ventos, a temperatura atmosférica e a contaminação dos rios. Acontece que, muitas vezes, as técnicas de biomonitoramento são mais fáceis e mais baratas.

Os líquens podem indicar o nível de poluição atmosférica.
Foto Pedro Henrique Ribeiro/CC

Além disso, há outra vantagem importante: os bioindicadores ajudam a avaliar o efeito os contaminantes nos seres vivos, o que dá pistas sobre como outros organismos – incluindo os seres humanos – reagiriam em sua presença. Também é possível avaliar efeitos indiretos da poluição ambiental, como o acúmulo de substâncias nocivas em diversos níveis das cadeias alimentares.

 

Tatiana Rodrigues Nahas,
Bióloga, autora do blog Ciência na Mídia

Adaptado de ‘Biomonitoramento: quem sabe o que é isso?’, CHC 252

Descubra no caça-palavras alguns seres usados como bioindicadores


Por que tirar a medida das coisas na Idade Média era uma confusão?

Ilustração Lula Palomanes

Na Idade Média, as unidades de medida mudavam conforme o tamanho do pé, do palmo, do braço e outras partes do corpo do rei.

As primeiras unidades de medida que tinham os governantes como referência datam o século 12, na Inglaterra. Por volta do ano 1100, o rei Henrique I determinou que uma jarda era o equivalente à distância que ia do seu nariz à extremidade do seu polegar, com o braço estendido. E, como a palavra do rei era ordem, todo mundo começou a usar a jarda para medir casas, terrenos e outras coisas.

Assim surgiram, também, unidades como polegada, pé, braça e palmo – todas para representar comprimentos. Havia relações entre algumas delas: uma braça valia duas varas; uma vara valia cinco palmos; um pé valia 12 polegadas, ou um palmo e meio.

O problema é que, sempre que o rei era substituído por seu sucessor, mudavam todas as unidades de medida. Fazer trocas entre reinos diferentes também era difícil, pois cada um usava seu próprio rei como referência na hora de medir as coisas. Uma confusão só!

Já o final do século 18, na França, com o comércio cada vez mais intenso, era mais do que urgente unificar a forma de determinar pesos e medidas. A iniciativa foi apoiada pelos cientistas da época, e os franceses convidaram a Inglaterra para participar da elaboração de um modelo único para pesar e medir as coisas. Em 1799, uma comissão de cientistas apresentou a definição do metro e do quilograma.

 

José Blois Filho,
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro

Adaptado de ‘O pé do rei e o tamanho das coisas’, CHC 249


Por que os vírus causam doenças?

Os vírus causam muitas doenças diferentes, desde gripes e resfriados até dengue, aids, caxumba, sarampo, catapora e raiva, entre outras. Todas elas podem prejudicar seres humanos, mas nós não somos os únicos a sofrer. Animais e plantas também podem ser infectados, e até fungos, protozoários e bactérias podem ficar doentes por causa dos vírus.

Cada tipo de vírus tem um formato diferente, mas todos eles têm duas características básicas em comum. A primeira delas é a estrutura: todos os vírus são formados por material genético (algo parecido com o que temos dentro de nossas células) envolto por uma cápsula de proteínas ou membrana. A segunda característica é que, para se reproduzirem, todos os vírus precisam infectar uma célula.

Ilustração Mario Bag

Uma vez dentro da célula, o vírus libera seu material genético. Então, começa a replicar seu material genético para dar origem a novos vírus. Espertinho, não? Esse processo de multiplicação pode levar poucas horas ou até alguns dias, e termina com a morte da célula invadida.

Quanto mais vírus produzidos, mais células são infectadas. Quanto mais células infectadas, mais vírus produzidos! O resultado, então, é um hospedeiro – humano ou não – doente.

 

Tatiana S. Colla e Russel T. O. da Rosa,
Faculdade de Educação,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Adaptado de ‘Atchim! Vai um vírus aí?’, CHC 245


Por que é importante dormir bem?

Para ter boa saúde é preciso comer, beber e … dormir! Sim, o sono é tão importante para o nosso corpo quanto a nutrição. O horário de dormir e acordar varia de pessoa para pessoa, mas você já sabe que, dormindo, descansamos nossos ossos e músculos, recuperando a disposição física para um novo dia. Além disso, durante o sono, o cérebro comanda uma série de funções que são fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo.

Ilustração Mario Bag

É verdade que, muitas vezes, a hora de dormir é adiada por crianças e adolescentes para dar conta do grande volume de deveres, atividades físicas e culturais, e outras responsabilidades. Uma noite mal dormida quase sempre resulta em um dia mal aproveitado tanto para o corpo quanto para a mente. As pessoas costumam ficar cansadas, sonolentas e podem até acabar cochilando em situações ou lugares impróprios. Zelar por uma boa noite de sono tem tudo a ver com a disposição física e também mental que apresentaremos no dia seguinte.

Pesquisas que analisam a relação entre a qualidade do sono e o aprendizado afirmam que, quando dormimos e atingimos o estágio em que sonhamos, as informações aprendidas durante o dia são armazenadas na memória de longa duração. Por outro lado, se uma pessoa tem uma noite de sono fragmentada, tende a apresentar dificuldades para aprender, memorizar e se concentrar em novas e antigas tarefas.

 

Sylvia Jofflly, Hegle Dias e Nathália Monteiro Andraus,
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Neuropsicologia Cognitiva (Nepenc),
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UEN)

Adaptado de ‘Dormir para aprender’, CHC 241


Por que os brasileiros falam português com diferentes sotaques?

Ilustração Mariana Massarani

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, encontraram índios, que falavam cerca de 1.200 línguas diferentes, cada uma com um ritmo diferente – umas mais lentas, outras mais rápidas, e marcadas por pronúncias mais abertas ou mais fechadas. O mesmo acontecia com os portugueses – embora falassem uma só língua, faziam isso de diferentes maneiras, dependendo da região de origem.

O que isso tem a ver com os sotaques? Tudo! O modo de falar de cada região ou de cada estado, ou ainda das mais diferentes cidades brasileiras, tem tudo a ver com essa mistura de etnias que tanto marca a história do nosso país. Por isso, para se conhecer a origem do sotaque de uma determinada localidade, é preciso ir fundo na história da população nativa e das pessoas que foram parar naquele lugar e ali se estabeleceram.

A mistura começa com os índios, que já falavam línguas diferentes de acordo com seu grupo. Depois, vieram os portugueses, falando um idioma apenas, mas com sotaque que podia ser de Lisboa, do Porto, de algumas ilhas além-mar ou, até mesmo, de terras colonizadas por eles em outros continentes, como África e Ásia. Espanhóis e holandeses também aportaram em nosso litoral trazendo na bagagem o idioma de seus países de origem.

Mais tarde um pouco, diferentes povos trazidos da África para serem escravos aqui também deram sua contribuição no modo de falar. Por fim, não podemos esquecer que recebemos, ainda, italianos, alemães, árabes, japoneses… Como resultado de todos esses encontros, eis os sotaques brasileiros de hoje!

 

José Pereira da Silva,
Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Adaptado de ‘Cada qual com seu sotaque’, CHC 233

Caixa de curiosidade CHC

Sotaque não é o ‘tchê’ dos gaúchos, o ‘uai’ dos mineiros, nem o ‘oxente’ dos baianos; sotaque é a marca especial no ritmo e na entonação da fala que corresponde a uma determinada localidade. Os cariocas, por exemplo, falam com o ‘r’ acentuado, provavelmente, por influência dos franceses, pois, quando D. João VI se mudou com sua corte para o Rio de Janeiro, trouxe consigo a cultura de uma época em que toda a Europa considerava os franceses muito chiques. Por isso, os portugueses que ocuparam a região do Rio de Janeiro falavam o português com sotaque francês.


Por que os egípcios mumificavam seus entes queridos?

Ilustração Mariana Massarani

A mais conhecida razão para a mumificação no Egito Antigo era a crença na ressurreição. Sim, os egípcios acreditavam que os mortos podiam voltar à vida.  Mas, como ninguém voltava, eles deveriam ter outros motivos para continuar praticando este ritual, não é mesmo?

A verdade é que os egípcios eram grandes observadores da natureza e logo perceberam que o corpo que havia sido enterrado em certos locais demorava muito a se decompor. Isso se devia à qualidade química e à secura do terreno egípcio. Com o movimento das areias do deserto, o corpo poderia vir à tona e, para espanto dos familiares, ele estaria intacto! Essa talvez pudesse ser outra boa razão: se a natureza da região conservava os corpos, os egípcios deveriam imitá-la!

Outra possibilidade tem a ver com o mito e Osíris. Osíris é um dos deuses mais famosos do Antigo Egito. Pela mitologia, após ter sido assassinado pelo seu irmão, Seth, ele foi cortado em 14 pedaços (ui!), mas voltou à vida por alguns momentos para ter um filho com Ísis, sua esposa. Como isso foi possível? Graças a outro deus, Anúbis. Ele uniu todas as partes de Osíris e as envolveu em bandagens de linho e óleos aromáticos, com perfumes variados. Olha a múmia aí, gente!

Para aumentar ainda mais a sorte de Osíris, Thot, deus da magia e do conhecimento, encantou o corpo mumificado e o fez voltar à vida. Então, graças ao mito de Osíris, os egípcios achavam que todo rei morto deveria passar pelo processo que o deus passou – a chamada mumificação osiriana.

 

Julio Gralha,
Núcleo de Estudos da Antiguidade,
Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e
Núcleo de Estudos em História Medieval, Antiga e Arqueologia Transdisciplinar,
Universidade Federal Fluminense

Adaptado de ‘Múmias? Mas que ideia!’, CHC 239


HQ do rex


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